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APED testa recolha de têxteis usados em lojas de Lisboa e Porto

Projeto-piloto apoiado pelo Fundo Ambiental quer preparar o retalho para as novas regras europeias e ajudar a desenhar um modelo nacional. Consumidores vão poder entregar roupa, calçado e acessórios.

07 de Maio de 2026 às 22:01
Pedro Elias
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A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) lançou um projeto-piloto para promover a circularidade dos têxteis e testar, em contexto real, soluções para a gestão de roupa, calçado e outros artigos têxteis em fim de vida. O objetivo é preparar o setor para o cumprimento das regras europeias, cuja implementação deve ser feita até 2028.

A iniciativa, financiada pelo Fundo Ambiental em até 450 mil euros, está já em fase de recolha e assenta na instalação de contentores em dez lojas das regiões da Grande Lisboa e do Grande Porto. A intenção passa por incentivar os consumidores a darem uma nova vida aos têxteis que já não utilizam, através da sua entrega voluntária em pontos de recolha preparados para esse efeito – na lista de aderentes estão empresas como a Auchan, Decathlon, El Corte Inglés e Continente.

O piloto surge num momento em que a União Europeia prepara novas exigências para o setor. A APED recorda que a Diretiva (UE) 2025/1892 prevê a implementação, até 2028, de sistemas de Responsabilidade Alargada do Produtor para os têxteis, o que, na prática, significará que os produtores terão um papel no financiamento e organização da gestão dos têxteis em fim de vida.

É neste contexto que a associação pretende “conhecer o sistema atual, avaliar modelos de recolha e triagem, identificar as melhores práticas e compreender o comportamento do consumidor”. A ambição é gerar conhecimento e recomendações que possam apoiar a criação de um futuro modelo nacional de gestão de têxteis.

Cristina Câmara, diretora de sustentabilidade da APED, considera que “este piloto é um instrumento essencial para preparar o setor para as novas exigências europeias e para os desafios da circularidade”. A responsável sublinha que o projeto permite “testar soluções em contexto real e compreender como melhorar a gestão dos têxteis em fim de vida”. Ao envolver consumidores e parceiros, acrescenta, a iniciativa “ajuda-nos a gerar conhecimento para apoiar a transição para o futuro modelo de gestão de têxteis em Portugal”.

A componente de sensibilização é uma das peças centrais do projeto, não só para promover a entrega voluntária, mas também para garantir que os consumidores depositam apenas materiais dentro das condições definidas. São aceites peças de roupa de qualquer tipo, mesmo rasgadas, desgastadas ou manchadas, bem como calçado, em par ou individual, têxteis-lar como lençóis, cortinas ou toalhas, desde que não contenham enchimento, e acessórios têxteis como malas, cintos, luvas, cachecóis ou chapéus.

Ficam de fora têxteis molhados, materiais com resíduos orgânicos ou químicos, acessórios não têxteis, como bijuteria ou colares metálicos, edredões, almofadas, colchões e outros artigos acolchoados ou com enchimento volumoso. Todos os artigos devem ser entregues secos e dentro de um saco fechado, preferencialmente limpos, embora sejam aceites peças manchadas ou em mau estado de conservação.

A APED defende que a resposta à gestão dos têxteis em fim de vida terá de passar por um modelo colaborativo, que envolva os produtores, retalhistas, operadores de resíduos, entidades públicas, parceiros estratégicos e o sistema científico e tecnológico nacional. A associação admite, por isso, alargar a participação a mais entidades, incluindo infraestruturas tecnológicas do setor têxtil.

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