As emissões de gases com efeito de estufa da economia europeia voltaram a aumentar no final de 2025, um sinal de que a desaceleração económica não está, por si só, a garantir uma redução consistente da pegada carbónica. No quarto trimestre, as emissões da União Europeia (UE) foram estimadas em 839 milhões de toneladas de CO2 equivalente, mais 0,9% do que no trimestre anterior, segundo dados publicados esta quarta-feira pelo Eurostat. No mesmo período, o PIB da UE cresceu apenas 0,2%.
Face ao quarto trimestre de 2024, as emissões subiram 0,4%, enquanto o PIB aumentou 1,5%. Ou seja, a economia europeia continuou a crescer mais depressa do que as emissões, mas não o suficiente para evitar uma nova subida absoluta da poluição climática.
O Eurostat explica que estes dados fazem parte das “estimativas trimestrais de emissões de gases com efeito de estufa por atividade económica”, uma estatística que permite cruzar a evolução ambiental com indicadores como o PIB ou o emprego. A leitura é particularmente relevante porque mostra em que áreas é que a pressão carbónica voltou a aumentar: eletricidade, gás, vapor e ar condicionado registaram a maior subida, de 7,2%, seguidos pelos transportes e armazenamento, com mais 1,3%, e pela indústria extrativa, com mais 0,9%. Em sentido contrário, as famílias reduziram as emissões em 2% e a indústria transformadora recuou ligeiramente (0,1%).
A fotografia setorial confirma a dificuldade da transição, já que no último trimestre de 2025 os maiores contributos para o total das emissões vieram da indústria transformadora (20,9%), das famílias (20,4%) e da eletricidade, gás, vapor e ar condicionado (16,2%). O restante distribui-se por setores como agricultura, construção, água e resíduos, serviços, indústria extrativa e outras atividades económicas.
A evolução não foi uniforme entre países, tendo as emissões aumentado em 19 Estados-membros e diminuído em sete, enquanto na Alemanha se mantiveram estáveis. As maiores reduções foram registadas na Finlândia (menos 3,2%), em Malta (menos 2%) e na República Checa (menos 0,6%). Segundo o Eurostat, todos os sete países que recuaram nas emissões conseguiram fazê-lo sem uma quebra do PIB.
Portugal integrou o conjunto de Estados-membros onde as emissões aumentaram no quarto trimestre face ao trimestre anterior. Ainda assim, a economia portuguesa cresceu nesse período, tendo o PIB aumentado 1,9% em 2025, segundo dados do INE.
A tendência europeia deve ser, de acordo com o organismo europeu, ser um alerta para o facto de a redução estrutural das emissões continuar dependente de mudanças profundas na produção de energia, na mobilidade, na indústria e no consumo, e não apenas de variações conjunturais da atividade económica.