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Investidores nórdicos pressionam UE a manter travão à exploração no Ártico

A guerra no Irão reacendeu o debate sobre segurança energética, mas fundos e investidores alertam Bruxelas para os riscos climáticos e ambientais de recuar nas metas verdes.

21:00
Golfo Pérsico, petróleo, Médio Oriente
Golfo Pérsico, petróleo, Médio Oriente Hasan Jamali / AP
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Instituições financeiras e investidores nórdicos pedem à União Europeia (UE) que mantenha a oposição à exploração de petróleo e gás no Ártico, numa altura em que Bruxelas está a reavaliar a sua política energética devido às tensões geopolíticas e ao impacto da guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão nos mercados globais de energia.

Segundo a Reuters, 12 instituições financeiras – entre as quais a Nordea Asset Management e a KLP, maior fundo de pensões da Noruega – assinaram uma carta dirigida à Comissão Europeia, defendendo que a crise energética não deve servir de justificação para enfraquecer compromissos climáticos.

Os signatários argumentam que novos projetos fósseis no Ártico demorariam mais de uma década a entrar em funcionamento, o que significa que “não responderiam à crise atual” de abastecimento energético. 

“O Ártico é um dos ecossistemas mais vulneráveis do planeta e lar de vida selvagem única”, refere o documento citado pela Reuters. Os investidores alertam ainda que uma expansão da exploração petrolífera aumentaria o risco de derrames e fugas numa região particularmente sensível. De acordo com simulações mencionadas na carta, mais de 90% do petróleo derramado em determinados campos do Mar de Barents não poderia ser recuperado.

A discussão surge num momento delicado para a Europa, com a guerra no Irão a provocar uma forte volatilidade nos mercados energéticos e a fazer disparar os preços do gás natural no continente. Em paralelo, a Noruega, principal fornecedor europeu de gás, tem pressionado Bruxelas para abandonar o apoio a uma moratória sobre novas explorações no Ártico.

O país nórdico enfrenta também um desafio estrutural, porque muitos dos seus campos petrolíferos e de gás estão envelhecidos e prevê-se que a produção diminua na próxima década caso não sejam feitas novas descobertas.

Apesar disso, os investidores sustentam que a resposta para a segurança energética europeia não passa pelo Ártico. “Se vamos abrir novos riscos para a segurança energética, o clima e a biodiversidade, ou se existe uma forma mais inteligente de o fazer”, afirmou Jacob Ehlerth Jorgensen, responsável de ESG da Sampension.

Atualmente, a política europeia apoia a proibição de novos desenvolvimentos de petróleo e gás no Ártico e rejeita a compra desses hidrocarbonetos, embora não exista uma moratória formal em vigor. Um porta-voz da Comissão Europeia confirmou à Reuters que a política para o Ártico está a ser revista “à luz do novo contexto geopolítico e geoeconómico”, mas sublinhou que ainda não foi tomada qualquer decisão.

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