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Gabriel Leite Mota: “A felicidade nas organizações tem de ser pensada a nível macro”

Arredada das preocupações das empresas durante muito tempo, a felicidade é agora vista como um fator essencial para a produtividade dos colaboradores e para a retenção de talento.

Sónia Santos Dias 17 de Novembro de 2022 às 19:00
Gabriel Leite Mota: “A felicidade nas organizações tem de ser pensada a nível macro”
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O bem-estar nas empresas é um ativo cada vez mais valorizado pelos colaboradores e fundamental para a retenção de talento. Sobretudo depois da pandemia, a forma de trabalhar e o seu propósito têm sido amplamente discutidos, colocando em cima da mesa valores que antes eram menos considerados. Do lado das empresas, novas estratégias surgem para incorporar a felicidade nas dinâmicas de trabalho. Porém, "para pensarmos a felicidade nas organizações, temos de pensar do ponto de vista macro e não só ao nível das políticas internas de cada uma das organizações. Temos de ter um ambiente geral que seja propício a isso", começou por referir Gabriel Leite Mota, professor auxiliar de Economia no Instituto Superior de Serviço Social do Porto, na conferência dedicada ao desenvolvimento social do Ciclo de Conferências ESG do Negócios Sustentabilidade 20|30, que decorreu a 8 de novembro, no Hotel Hilton Porto Gaia, em Vila Nova de Gaia.

O keynote speaker do painel de debate "Emprego ou Projeto? Bem-estar nas Empresas" sublinhou que a chamada "ciência da felicidade" não é um conjunto de lugares-comuns, é sim uma temática estudada cientificamente que traz um conjunto de inputs positivos para o estudo da felicidade com muito potencial para ajudar as organizações. Nomeadamente, que "o nosso funcionamento emocional dá muito impacto às questões negativas por contraposição às positivas, de tal maneira que se quisermos pessoas felizes temos de ter mais eventos positivos do que negativos e de uma forma bastante significativa", exemplificou Gabriel Leite Mota. Outro exemplo de impacto positivo nas pessoas e nas organizações é a prática da gratidão, na medida em que "é um elemento que potencia o bem-estar das pessoas, assim como sorrir, abraçar e elogiar são tudo elementos que a ciência tem vindo a demonstrar, para além da nossa perceção empírica, que são relevantes".

Existe também uma relação não linear entre PIB e felicidade, pelo que "a aposta continua apenas no regime do PIB sem cuidar de outras dimensões podem não ser eficazes para o aumento do bem-estar, então, temos de nos preocupar com isso", defendeu o keynote speaker, que salientou ainda que o desemprego é um dos elementos mais destrutivos do bem-estar e, por contraponto, o emprego é "fundamental para a felicidade", assim como as relações interpessoais e a saúde. Portanto, sublinhou, "nós enquanto economia não nos podemos organizar só para produzir coisas, temos de nos organizar de forma a termos boas relações com os outros e em termos de saúde".

E da mesma forma que o capital natural deve entrar para a equação da riqueza de um país que se queira sustentável, também a felicidade deve contribuir para classificar países muito além do PIB. Gabriel Leite Mota sublinhou que "nós temos diferentes áreas da nossa vida e cada uma delas tem de ser exponenciada. Não basta apostarmos numa, não basta apostar nos números".

Dentro das organizações, estas questões devem ser ponderadas pelas lideranças de forma a terem também melhores resultados. Novas práticas passam por horizontalizar as relações, implementar lideranças positivas e promover o florescimento dos trabalhadores. "Trabalhadores felizes são mais produtivos, mais focados, leais, faltam menos e são mais cooperantes e criativos", destacou o professor de Economia.

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