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Sofia Tenreiro: “Se queremos ser net zero temos de começar pelas cidades”

As cidades são o epicentro das sociedades e estão em plena transformação. Para Sofia Tenreiro, a inovação e a tecnologia são a resposta para muitos dos problemas que as cidades precisam de resolver para se tornarem mais sustentáveis.

Sónia Santos Dias 17 de Novembro de 2022 às 18:00
Sofia Tenreiro: “Se queremos ser net zero temos de começar pelas cidades”
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Com 50% da população a viver em centros urbanos e com a perspetiva de esse número crescer para 70%, em 2050, a intervenção nestes espaços é fundamental para construir uma sociedade mais sustentável, tanto a nível ambiental, como social.

Atualmente, as cidades são responsáveis por 80 % do consumo energético e por 70% das emissões de carbono. Por isso, "se queremos atuar rapidamente e de forma profunda na questão do net zero, temos de começar pelas cidades", referiu Sofia Tenreiro, partner da Deloitte e keynote speaker do painel "Casas e cidades mais amigas - O que estão a fazer as autarquias", na conferência do Negócios dedicada ao desenvolvimento social, que decorreu a 8 de novembro, no Hotel Hilton Porto Gaia, em Vila Nova de Gaia.

Como organismos dinâmicos, as cidades têm também de se adaptar rapidamente às circunstâncias. Sofia Tenreiro exemplificou com a fuga dos refugiados da Ucrânia para cidades, por exemplo, da Polónia, sobrecarregando infraestruturas, mas que estas têm de conseguir responder a estes apelos. "As cidades têm assumido um papel principal e têm sido a solução para muitos dos problemas que existem a nível mundial", referiu.

Já se olharmos para as cidades numa perspetiva mais económica, elas "são a maior fonte de riqueza a nível mundial, pois são responsáveis por cerca de 80% do GDP. Portanto, quando queremos olhar a nível mundial para a economia, para a questão social e para a questão ambiental, temos de começar também por elas", sublinhou a partner da Deloitte.

E como resolver tudo isto? Transformando as nossas cidades em smart cities, ou cidades inteligentes, que aliam tecnologia e inovação para conseguir resolver todas estas questões. Sofia Tenreiro defendeu que "a tecnologia associada à inovação é o que vai permitir que as cidades tenham qualidade de vida e criem valor" para as suas populações. "Há muitas fontes de informação nas cidades que se não forem trabalhadas não têm valor", referiu Sofia Tenreiro, dando como exemplo a existência de dados sobre trânsito, poluição, ruído, etc. "É preciso olhar para estas infraestruturas nas cidades e perceber como é que podem ser mais inteligentes." "A verdade é que as cidades são muitas complexas, geridas por muitos intervenientes e cada um deles trabalha num silo. Precisamos de olhar para os recursos e para o ecossistema e perceber como conseguimos ter uma visão integrada e centrada no cliente", assinalou a responsável. Além de todas estas questões de eficiência, "estima-se que a tecnologia possa reduzir em 90% as emissões de carbono em todos os problemas que existem nas cidades", destacou a keynote speaker.

Na realidade, as cidades estão em acelerada transformação motivada pela digitalização e pela procura de uma vivência mais sustentável. São já inúmeras as tendências que se estão a instalar, seja a nível da mobilidade, da economia circular, na criação de mais espaços verdes, na promoção do conceito da "cidade dos 15 minutos", onde deveremos poder chegar aos principais serviços de que necessitamos neste curto espaço de tempo, etc. Por tudo isto, Sofia Tenreiro considera que "é tempo de agir", de conversar uns com os outros, na medida em que as cidades são organismos muito complexos e a realidade muda muito rapidamente.

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