Níquel é nova dor de cabeça para fabricantes de automóveis

Garantir a oferta de lítio e cobalto, matérias-primas essenciais para baterias, tem sido uma dor de cabeça para as fabricantes de carros eléctricos, mas de momento o que realmente preocupa é a oferta de níquel e grafite.
Jornal de Negócios
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Bloomberg 28 de julho de 2018 às 11:00

As fabricantes de automóveis, que se preparam para o aumento das vendas de veículos eléctricos no início da década de 2020, questionam-se cada vez mais onde conseguirão níquel e grafite suficientes para as baterias, segundo Simon Moores, director-geral da Benchmark Mineral Intelligence.

Ao mesmo tempo, a preocupação com o lítio e o cobalto diminuiu porque as empresas mineiras aceleraram a produção em novos projectos.

"Nos últimos anos, os motivos de preocupação das fabricantes de automóveis foram o lítio e o cobalto", afirmou Moores numa entrevista conjunta em Londres. "Nos últimos quatro meses, a situação mudou e essas empresas parecem bastante confiantes em como o lítio e o cobalto estarão à disposição quando precisarem".

Investidores e empresas mineiras já estão alertados para o risco de a oferta não corresponder à procura. Um estudo encomendado pela gigante de trading de matérias-primas Glencore indica que a procura global de níquel para veículos eléctricos atingirá perto de um milhão de toneladas até 2030. O total equivale a 55% do metal produzido globalmente em 2017. Os preços deverão dobrar até 2022, mas por enquanto ainda é pouco provável que as produtoras acompanhem a procura da indústria automóvel, segundo a Wood Mackenzie.

A projecção optimista para a procura por baterias tem ajudado a isolar o níquel da forte queda dos metais de base das últimas semanas. Os preços subiram 5,7% desde o início do ano, para 13.490 dólares por tonelada, ao passo que outros metais industriais negociados na Bolsa de Metais de Londres estão em baixa.

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A exemplo do que ocorreu com o lítio e o cobalto, há uma crescente preocupação a respeito de como as produtoras de níquel e grafite fornecerão metal da qualidade certa nas quantidades certas quando as vendas começarem a aumentar devido à popularização dos veículos eléctricos, salientou Moores.

Mas os investidores que apostam no futuro do níquel em baterias podem sofrer mais apertos do que aqueles que procuram retornos na indústria do cobalto e do lítio, alertou Caspar Rawles, analista da Benchmark Minerals.

"O problema que o níquel potencialmente enfrenta está no facto de os investidores estarem a tentar aproveitar as lições do que aconteceu recentemente com o lítio e o cobalto; mas é cedo para isso", disse Rawles. Actualmente é o uso convencional no aço inoxidável que está a impulsionar a procura de níquel e faltam muitos anos para que o mercado das baterias a níquel comece a afectar os preços, disse.

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