A Europa nunca foi solidária
Em países como o Egipto, aqueles que perderam os filhos ou pais na Praça Tahrir, aqueles que se sacrificaram em prol da "revolução", não vão suportar ver essa mesma "revolução" confiscada pelos militares e pela Irmandade Muçulmana.
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Tahar Ben Jelloun diz da Europa que ela não é, nem nunca foi, solidária. Diz da Europa que ela sempre foi racista e xenófoba em relação aos seus imigrantes. A diferença é que agora se fala mais disso. Disse, da Europa, que ela está cheia de crianças mimadas (no artigo "A Europa é uma sorte, mas os europeus não sabem!", publicado no "L'Espresso", em Junho de 2010). Disse, no mesmo artigo, que a dita Europa solidária e fraterna se tinha transformado numa Europa dos egoísmos de Estado e do cidadão. Diz, sobre o mundo, que falta pensamento crítico. Diz, sobre a humanidade, que ela é auto-destrutiva. Diz que a sua esperança está nas crianças.
Nas sociedades árabes, as pessoas não vivem em liberdade. Continuam a viver sem ela. Há uma intromissão da religião na esfera privada. O islamismo é um totalitarismo. Tahar Ben Jelloun, escritor e poeta franco-marroquino, esteve na Fundação Gulbenkian a explicar a "Primavera Árabe", no âmbito do Programa Próximo Futuro. Lançou em Portugal o seu livro de contos "O Primeiro Amor É Sempre o Último", da editora QuidNovi. Um livro que fala sobre o amor, sobre o sexo, sobre a relação entre o homem e a mulher nas sociedades árabes, agora que a emancipação da mulher em algumas dessas sociedades parece estar em perigo de retrocesso, como diz. A bailarina tunisina Nawel Skandrani, em conversa com o Negócios (a publicar na próxima semana), testemunha isso mesmo: "já há mulheres forçadas a usar o véu na Tunísia".