Weekend Artesãos de todo o Portugal, dirigi-vos a Veneza

Artesãos de todo o Portugal, dirigi-vos a Veneza

Criada pelo CEO do grupo de luxo Richemont, a Michelangelo Foundation, sediada em Veneza, tem como missão apoiar o artesanato em todo o mundo.
Artesãos de todo o Portugal, dirigi-vos a Veneza
José Vegar 22 de setembro de 2018 às 09:00

Está a acontecer algo de verdadeiramente extraordinário no mundo do artesanato global, e os artesãos portugueses precisam de dedicar o máximo de atenção a este fenómeno. Há alguns meses, Johann Rupert, o CEO da Richemont, um dos maiores grupos do mundo no sector do luxo, tendo no seu portefólio marcas como a Cartier e a Van Cleef & Arpels, anunciou que se iria lançar na missão de salvar o genuíno artesanato europeu. A primeira iniciativa de Rupert, já em plena execução, foi a abertura, em Veneza, da exposição "Homo Faber", num dos palácios da cidade suspensa.

 

A exposição reúne algumas dezenas de trabalhos de grandes artesãos europeus ainda em actividade, abrangendo uma panóplia grande de artes, do couro ao vidro, passando pelo restauro. A ideia, confessou Rupert em várias entrevistas, é a de mostrar o extremo valor do trabalho artesanal, bem como a gigantesca diversidade de trabalhos que pode gerar.

 

Mas esta mostra é só o começo do projecto, como insiste Rupert. O verdadeiro motor de toda a coisa, confessa o CEO, é a Michelangelo Foundation, acessível em www.michelangelofoundation.org, que a partir de agora irá trabalhar em dedicação exclusiva à nobre arte artesanal. A fundação irá primeiro procurar e identificar trabalho artesanal de valor em toda a Europa, dando assim visibilidade aos artesãos. Depois, irá procurar dar o seu apoio, que tanto pode ser ao nível do desenvolvimento das técnicas e dos saberes, como também da criação de oportunidades comerciais para os artesãos e para os seus produtos.

 

Rupert garante que aquilo que o move acima de tudo é a vontade de parar a morte lenta dos artesãos, cada vez mais esmagados pela produção em série e pelo produto barato. Segundo o CEO da Richemont, a arte não pode morrer, porque os produtos que gera são indiscutivelmente melhores e mais cativantes. Claro que haverá uma segunda razão para toda esta dedicação, já que impérios do luxo, como o da Richemont, perdem uma percentagem gigantesca do seu valor se não continuarem a oferecer bens e produtos que são exclusivos e genuínos.

 

Para os artesãos portugueses, as razões da fundação não serão muito importantes, já que têm aqui uma oportunidade de ouro. Num país onde as artes tradicionais se vão extinguindo silenciosamente, onde os artesãos são desconhecidos, e onde não encontram canais para vender os seus produtos, a fundação pode ser o dínamo para uma mudança forte de ambiente. A hipótese está agora aberta, resta aos artesãos nacionais força para a transformar em trabalho.

 




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