Benvindo Fonseca: Todos os dias acabamos e recomeçamos
Benvindo Fonseca nasceu para dançar. Filho de pais cabo-verdianos, cresceu em Moçambique, mudou-se para Portugal na adolescência e começou a dançar quase por acaso. Apresenta amanhã, no Panteão Nacional, mas longe dos túmulos e das polémicas, “Cromeleque”, a partir do Requiem de Mozart.
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Há pessoas que nascem realmente para alguma coisa. E Benvindo Fonseca nasceu para dançar. Filho de pais cabo-verdianos, cresceu em Moçambique, mudou-se para Portugal na adolescência e começou a dançar quase por acaso. Talento fulgurante, chegou a solista do Ballet Gulbenkian muito novo. Percorreu os palcos do mundo. Quando teve de parar de dançar, teve de descobrir como dançar sem usar os pés ou as pernas. O corpo falhou-lhe, mas talvez nunca tivesse usado tanto o coração. O coração parte-se, mas depois remenda-se, e remenda-se mais uma vez. Somos todos feitos de fragmentos, de quem amámos, de quem nos amou, e o trabalho de Benvindo Fonseca evoca essas memórias que os corpos guardam. Apresenta amanhã, no Panteão Nacional, mas longe dos túmulos e das polémicas, "Cromeleque", a partir do Requiem de Mozart. É também uma homenagem à sua mãe, que terá sempre sabido para o que ele tinha nascido.