A primeira fase dos exames nacionais marcou o início de uma das etapas mais importantes do acesso ao ensino superior. Enquanto alguns estudantes aguardam os resultados, outros preparam-se para realizar ou repetir provas na 2.ª fase, com o objetivo de melhorar a classificação ou garantir as provas de ingresso necessárias. Paralelamente, aproxima-se o momento de escolher o curso, comparar instituições e preparar a candidatura.
Há boas notícias para quem está neste caminho. Em 2026, o sistema tem mais vagas do que no ano anterior: 107.598 em todo o país, nas instituições públicas e privadas, mais 2 882 em relação a 2025. A maior parte da oferta está no ensino público, com 78.283 vagas, 56.790 através do Concurso Nacional de Acesso e dos concursos locais, e 21.493 distribuídas por regimes e concursos especiais. O ensino privado soma 29.315 vagas, também mais do que no ano passado.
Este reforço não surge por acaso. Depois de 2025 ter registado uma quebra no número de candidatos, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação decidiu tornar o sistema mais flexível, dando às instituições maior liberdade para ajustar a oferta e abrindo a porta a quem vem de percursos diferentes do tradicional. Um exemplo concreto: as vagas reservadas a quem conclui um Curso Técnico Superior Profissional (CTeSP) aumentaram 19%, valorizando assim um caminho que, até há pouco tempo, era secundarizado.
Mais vagas onde mais falta fazem
Há duas áreas em particular onde o aumento de vagas conta uma história maior do que os números por si só.
Na Medicina, há agora 1.656 vagas, mais 62 do que no ano passado. Este crescimento deve-se à criação de um novo curso na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e ao reforço da oferta em Coimbra. É um sinal direto do esforço para formar mais médicos num país que continua a sentir a falta deles.
O mesmo raciocínio aplica-se à Educação Básica. As vagas sobem para 1.344, um aumento de 147 face a 2025, mais 12%. A intenção é atrair mais jovens para a profissão docente, numa altura em que a falta de professores se faz sentir nas escolas. Para tornar este caminho mais atrativo, mantêm-se as bolsas anuais equivalentes ao valor da propina para quem ingressa em cursos que conduzem à profissão de professor.
Há ainda uma mudança que pode pesar na estratégia de candidatura de muitos estudantes. Durante os concursos de 2026/2027, as instituições de ensino superior passam a poder aceitar até dois conjuntos alternativos de provas de ingresso, cada um composto por uma única prova. Na prática, isto significa mais hipóteses de entrar no curso pretendido, mesmo para quem não tem o conjunto de provas “ideal”.
Por exemplo, um aluno que tenha obtido uma excelente classificação no exame de Matemática A, mas não tenha realizado o exame de Economia A, ou não tenha conseguido um bom resultado, pode candidatar-se ao mesmo curso utilizando apenas a nota de Matemática, desde que a instituição aceite essa prova como alternativa.
O que fazer antes de avançar com a candidatura
Para que corra tudo bem, é preciso preparar tudo antes da abertura dos concursos de acesso. Desde março que os candidatos podem pedir a senha de acesso ao portal das candidaturas e consultar quais as provas de ingresso de anos anteriores que continuam válidas.
A candidatura é feita exclusivamente online, mas exige um passo presencial, ou seja, depois de obtida a senha de acesso, a sua confirmação tem de ser entregue na escola secundária ou no Gabinete de Acesso ao Ensino Superior (GAES) da área de residência.
É precisamente este período, entre o fim dos exames e a abertura oficial das candidaturas, que faz a diferença. Confirmar que as provas de ingresso estão validadas, calcular bem a média, conhecer o número de vagas em cada curso e ponderar com calma as diferentes opções são passos que podem decidir o resultado final. Uma candidatura bem preparada não garante a entrada no curso dos sonhos, mas aumenta de forma muito real as probabilidades de isso acontecer.
Antes da candidatura
1. Pedir a senha de acesso
A senha é obrigatória para apresentar a candidatura ao ensino superior público. O pedido é feito online e, depois de validado na escola secundária ou no Gabinete de Acesso ao Ensino Superior (GAES), a senha é enviada para o endereço de correio eletrónico indicado.
2. Confirmar as provas de ingresso
Antes de preencher a candidatura, verifique quais os exames nacionais que pode utilizar como provas de ingresso. A plataforma permite consultar as provas realizadas em anos anteriores que continuam válidas para a candidatura de 2026, ajudando a definir os cursos a que pode concorrer e a planear a candidatura com maior segurança.
Calendário das candidaturas ao ensino superior 2026
1.ª fase
20 a 27 de julho – Candidatura dos candidatos ao contingente para emigrantes e dos candidatos que pediram a substituição de provas de ingresso por exames estrangeiros.
20 de julho a 6 de agosto – Candidatura dos restantes candidatos.
2.ª fase
24 de agosto a 2 de setembro
3.ª fase
22 a 24 de setembro