LEGENDA: O debate “Que Cascais Queremos Construir?” contou com a participação de Gonçalo Esteves, presidente da Associação Empresarial do Concelho de Cascais, e Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais, com moderação de Marta Rangel.
“Não vamos conseguir resolver o problema da habitação se não percebermos que temos de construir mais. O município, sozinho, não vai conseguir resolver este problema, porque não tem tempo nem meios financeiros para o fazer”, afirmou Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais, no debate "Que Cascais 1ueremos construir", integrado no evento Cascais Summit, organizado pela Associação Empresarial do Concelho de Cascais (AECC). O autarca anunciou que a Câmara pretende lançar projetos de parceria com privados, incluindo soluções de built-to-rent, em que os imóveis são construídos para arrendamento de longa duração.
O objetivo assumido pelo executivo é chegar a 2029 com 3500 novas soluções de habitação pública, destinadas a diferentes segmentos, incluindo jovens e famílias de rendimentos médios e médio-baixos. O autarca sublinhou que o município dispõe de terrenos que podem viabilizar parcerias com investidores privados, mediante modelos de remuneração a longo prazo. “Não posso ficar tranquilo sabendo que um jovem que nasce, cresce e estuda em Cascais vai ter de escolher outro sítio para constituir família porque não tem capacidade para aceder ao mercado da habitação”, disse Nuno Piteira Lopes.
Gonçalo Esteves, presidente da Associação Empresarial do Concelho de Cascais, concordou que a habitação é determinante para a retenção de talento e para a continuidade das empresas. Embora estas possam recrutar trabalhadores fora do concelho, considera que a saída dos jovens que estudaram e cresceram em Cascais representa um risco para o desenvolvimento económico e social.
Transformação do comércio
Na última década, Cascais evoluiu significativamente na habitação, na restauração e na hotelaria, mas o comércio ainda precisa de acompanhar essa transformação. “Falta-nos melhorar o comércio e ter uma oferta de qualidade que esteja ao nível da hotelaria e da restauração. Quem nos visita, fica num hotel de cinco estrelas e frequenta restaurantes de elevada qualidade também deve encontrar onde fazer as suas compras”, considerou Gonçalo Esteves.
A mobilidade é outro dos desafios estruturais. Por isso, Nuno Piteira Lopes pretende uma reflexão metropolitana sobre a utilização do automóvel, sublinhando que eventuais medidas de penalização do transporte individual devem ser enquadradas numa estratégia mais ampla e acompanhadas por alternativas de transporte público.
Rejeitou que a Câmara tenha decidido introduzir portagens na Marginal e salientou que a transferência da gestão de parte da via para o município visa melhorar a segurança rodoviária e a própria via. Na sua visão para 2036, a baixa de Cascais deverá ter menos automóveis e mais espaço para peões, comércio e convívio, apoiada por transportes públicos eficazes e estacionamento periférico.
A estratégia inclui também a criação de um grande parque verde urbano, com cerca de 400 mil metros quadrados, e o reforço do investimento em educação, saúde, segurança, cultura, desporto e coesão social. O município dispõe atualmente, segundo o presidente da Câmara, de 11 metros quadrados de espaços verdes por habitante, e a ambição é melhorar esse indicador ao longo da próxima década.