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Caixa Agrícola da Costa Azul aponta aos desafios do futuro e da região

Com portas abertas há 110 anos, a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Costa Azul assinalou a data num evento onde o grande destaque também foram os desafios e oportunidades futuras.

10:45
Bruno Gonçalves Pereira, Sérgio Raposo Frade, Adriano Moreira e Rui Gomes brindam aos 110 anos da da Caixa da Costa Azul
Bruno Gonçalves Pereira, Sérgio Raposo Frade, Adriano Moreira e Rui Gomes brindam aos 110 anos da da Caixa da Costa Azul DR

A comemorou com casa cheia os 110 anos de existência, numa conferência que lembrou os marcos do passado e lançou um olhar sobre o futuro da instituição, no contexto dos desafios que se colocam à região.

Rui Gomes, presidente, lembrou que a Caixa da Costa Azul, como o Crédito Agrícola (CA) onde se insere, continua fiel à missão e à dupla função de agente económico-financeiro e de impacto social e comunitário. Destacou o compromisso de preservar a confiança dos clientes e manter-se como um pilar da economia e do desenvolvimento local. “Na Caixa da Costa Azul temos conseguido posicionar-nos face à concorrência sem sacrificar a proximidade ao cliente, mantendo uma rede de agências, ATM, TPA e canais digitais que marcam bem a nossa diferença comparativamente à restante banca”, sublinhou. Um posicionamento, lembrou, que em muitas localidades não tem concorrência: em 11 dessas localidades, a Caixa da Costa Azul é a única agência bancária, em 27 é a única com ATM. 

Olhando para o futuro, o responsável considerou que “preservar a identidade, resistir à pressão centralizadora” e ao mesmo tempo acompanhar as transformações do setor são alguns dos maiores desafios que se colocam à instituição. Defendeu que vale a pena resistir e “valorizar a composição e dispersão do capital social das caixas e o seu modelo de governação não subordinado à maximização do lucro e distribuição de resultados”. Isto passará por saber capitalizar as vantagens da diferença e por conseguir “obter do regulador o devido reconhecimento do papel estruturante do CA em Portugal”.

Como em qualquer outro banco, os desafios passam ainda pela modernização e automatização dos serviços – para simplificar e melhorar eficiência, pela captação, formação e retenção de talento alinhado com valores do grupo, quis também destacar Rui Gomes.  

Participação em todas as estruturas fundadoras

Em dia de celebração foram recordados os dez sócios fundadores da Caixa da Costa Azul, personalidades que acabariam por contribuir em diferentes vertentes para o desenvolvimento do concelho de Santiago do Cacém. Foram ainda homenageados 15 sócios, pela ligação de 50 anos à instituição, e recontadas iniciativas pioneiras da Caixa da Costa Azul pela voz de Jorge Nunes, que promoveu várias enquanto liderou a instituição. A Caixa da Costa Azul “foi fundadora de todas as estruturas do Crédito Agrícola e esteve sempre na vanguarda do desenvolvimento da instituição”, lembrou o comendador, que dirige agora a Fundação Caixa Agrícola Costa Azul.

Foi, por exemplo, a partir de Santiago do Cacém – sede e designação oficial até 2007 – que uma Caixa Agrícola abriu a primeira delegação (1980), ou que pela primeira vez inaugurou uma delegação num concelho limítrofe (1984). Presente em oito concelhos, a Caixa da Costa Azul converteu-se numa das mais abrangentes do país, uma escala alcançada também com aquisições e uma fusão.

Oportunidade para o setor financeiro

O evento foi encerrado pelo secretário de Estado Adjunto e do Trabalho, Adriano Moreira, a sublinhar que Portugal vive um “momento único de crescimento”, com 230 mil postos de trabalhos líquidos criados nos últimos dois anos e uma situação próxima do pleno emprego, que leva o IEFP a deixar por preencher uma média mensal de 10 mil ofertas de emprego. Este é um momento de “oportunidade para entidades financeiras que possam ajudar as PME”, sendo que “o crédito de proximidade tem uma missão da máxima importância” na tarefa de apoiar o crescimento, frisou.

O governante vê ainda outro domínio no qual a banca cooperativa pode ter um papel importante e desafiou a Caixa a apostar em produtos na área dos complementos de reforma, lembrando que a regulação está criada e 300 mil pessoas já beneficiam de regimes privados, muitas vezes financiado pelas empresas e pelos próprios. É um tema onde toda a Europa vai ter de agir e está a mobilizar-se para o fazer, mas onde uma instituição como o CA pode ter “melhor flexibilidade e melhor capacidade para agir, sem estar à espera de decisões de Bruxelas”.

Duplicação da população traz novos desafios

Com a perspetiva de duplicação da população em alguns concelhos do sudoeste alentejano, o presidente da câmara de de Santiago Cacém, Bruno Gonçalves Ferreira, defendeu que é fundamental manter “parcerias sólidas” que ajudem a encontrar “as respostas locais, regionais e nacionais para acolher e manter a qualidade de vida de quem está e de quem chega”. Na intervenção que fez durante a conferência dos 110 anos da Caixa da Costa Azul, o autarca apontou a Caixa da Costa Azul como um destes parceiros, enquanto “agente ativo no apoio às empresas e ao empreendedorismo local”, pela sua proximidade e conhecimento do território, que se mantêm fundamentais neste momento de “profundas transformações”.

Banca cooperativa pode aumentar impacto local e regional 

O propósito original da banca cooperativa e a sua vocação para resolver problemas que a banca convencional não pode (ou não quer) resolver, mantendo o foco nas comunidades e nos territórios, continua atual e necessário. A ideia entrou no debate sobre “A Banca Cooperativa e o Desenvolvimento do Território” pela voz de Luís Reto, mas foi consensual.

O professor do Iscte acredita mesmo que este posicionamento é a chave para manter a banca cooperativa “mais salvaguardada” do que outros players do setor da concorrência de atores, como as fintech. Também defendeu que reforçar o contributo já dado para o desenvolvimento local é possível e deve passar por “parcerias sociais, com entidades de nível local e intermunicipal”.

A extensa capilaridade da rede de balcões do Crédito Agrícola (CA), não condicionada ao poder de compra das populações em cada localidade, é cada vez mais um ativo sem par no sistema financeiro, reconheceu também Paulo Bento, vice-reitor da Universidade Aberta, no mesmo debate. Um estudo sobre a banca cooperativa em Portugal, no qual ambos os oradores participaram, mostrava que, em 2024, em 72% das localidades onde só existia um banco esse banco era uma Caixa.       

Também Nuno Serra, secretário-geral da CONFAGRI, identificou esta presença de proximidade como o fator mais relevante para o impacto da banca cooperativa nas comunidades. “As tecnologias da informação não podem servir para tudo e aí as Caixas continuam a ter um mérito muito importante, que é a proximidade às pessoas”, frisou. Mesmo num mundo digitalizado, as relações de confiança continuam a ser importantes para escolher um parceiro financeiro e a extensa presença física confirma a relevância do “papel do CA na coesão territorial e na dinâmica rural”, acrescentou.

Um “ombro amigo”

Como lhe chamou Jorge Volante, presidente da FENACAM, há uma “cultura do ombro amigo”, que tem sido preservada às custas de um investimento forte que também passa pelos recursos humanos e que materializa uma das vertentes da intervenção social das CA, que “devia ser mais reconhecida pelos reguladores”, acredita o presidente da Federação Nacional das Caixas de Crédito Agrícola Mútuo.

O sucesso dos movimentos de concentração que as Caixas têm vindo a protagonizar nos últimos anos também foi apontado como fator de amplificação do impacto da instituição nas comunidades onde se insere. Como sublinhou Paulo Bento, “mais de 80% das fusões não atingem os objetivos anunciados. O CA tem um registo extraordinário a este nível.”

Ricardo Pinheiro deixou um desafio ao grupo. Depois de considerar que as grandes transformações agroindustriais que o país já viveu “tiveram muito que ver com a forma como o Crédito Agrícola se posicionou”, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo antecipou uma nova oportunidade para aumentar impacto do CA nas economias locais.

As aguardadas alterações ao modelo de financiamento europeu para a agricultura podem ser uma oportunidade para a banca cooperativa “assumir um maior risco em áreas em que os fundos comunitários tendem a diminuir”. O responsável falava de áreas nas quais a mecânica de acesso a fundos está estabilizada e regulada e em que já se antecipa que serão necessários mecanismos de financiamento complementares.

Deu como exemplo o apoio a projetos de inovação na fase inicial de desenvolvimento da ideia, uma área na qual o CA já deu passos, com iniciativas como o Prémio de Empreendedorismo e Inovação.

Bruno Gonçalves Pereira, Sérgio Raposo Frade, Adriano Moreira e Rui Gomes brindam aos 110 anos da da Caixa da Costa Azul
João Duque, presidente do ISEG, e Sérgio Raposo Frade, CEO do Crédito Agrícola DR

Futuro está garantido, mas há caminho a percorrer

O espaço da banca cooperativa no futuro da economia está a desenhar-se, condicionado por desafios novos e antigos, acredita João Duque, presidente do ISEG. “O CA está a sofrer um processo de transformação e de evolução importante sob pressão”, conta. A juntar às incertezas que pautam a economia global, Portugal prossegue numa transformação que combina o peso de uma população a envelhecer e com pouca literacia digital com jovens sem filhos e novos residentes adultos, normalmente também jovens, que o país acolhe para trabalhar.  

O CA tem respondido a estes diferentes perfis com a persistência de uma estratégia de proximidade, assente num património histórico e moldada pela sua “natureza social e assistencialista”, que “o Estado central e o regulador não têm levado em conta”, assinalou o economista no debate “O futuro da economia e o papel da banca cooperativa”. 

Ao mesmo tempo, a instituição tem sabido apostar numa vertente de sustentabilidade e na transformação digital, destacou, acrescentando que deve continuar a trabalhar para mostrar aos mais jovens – famílias e empreendedores – que também é um banco para responder às suas necessidades.

Local e digital são incontornáveis

Por sua vez Sérgio Raposo Frade, CEO do Crédito Agrícola, reconhece que a instituição tem prosseguido uma estratégia com “menos ambição de rentabilidade que a banca comercial geral, exatamente para compensar o papel que continuamos a ter no apoio às populações” e diz que é para manter. Mesmo com a evolução da regulação europeia a adicionar desafios ao modelo.

Fez notar que a instituição nos últimos anos também reduziu balcões em todo o país, cerca de 10%, mas muito abaixo da média do setor (entre os 30 e os 40%). Contas feitas, o banco tem hoje a maior rede nacional de balcões, 615. A presença local vai continuar a ser uma aposta. O digital também, tanto nos serviços ao cliente como para melhorar a eficiência interna. 1

1,2Mil MILHÕES
de euros em ativos tem a Caixa da Costa Azul. 139 milhões de euros em capitais próprios. A instituição tem mais de 150 colaboradores e 23 agências em oito concelhos.

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