Hoje, as empresas procuram profissionais capazes de gerar impacto desde o primeiro momento, combinando visão estratégica com capacidade de execução e domínio das novas tecnologias. Para as escolas de negócios, isso implica adaptar modelos pedagógicos, reforçar a ligação às empresas e integrar competências que vão muito além da gestão tradicional.
Na Porto Business School, esta adaptação assenta num acompanhamento permanente das necessidades do mercado e numa relação estreita com empresas e alumni. Segundo Ana Côrte-Real, faculty & corporate relations director e executive MBA director, o mapeamento das competências mais procuradas resulta de vários mecanismos, desde conselhos consultivos dos programas até ao diálogo constante com organizações parceiras. Esse contacto direto permite identificar tendências emergentes e ajustar continuamente os conteúdos dos MBA. Entre as competências mais valorizadas estão hoje a capacidade de transformar estratégia em execução, trabalhar com dados e inteligência artificial e liderar equipas em contextos de elevada incerteza.
A evolução do mercado está também a alterar a forma como as empresas recrutam. Em vez de procurarem apenas funções rígidas, muitas organizações começam a privilegiar perfis com potencial de liderança e competências transversais, ajustando posteriormente o papel dentro da estrutura. Este movimento reforça a importância de programas que desenvolvam visão estratégica, capacidade analítica e flexibilidade intelectual.
Liderança humana num mundo mais automatizado
A crescente presença da inteligência artificial nas organizações tem vindo a acelerar esta transformação. Se as ferramentas tecnológicas estão cada vez mais disseminadas, o verdadeiro diferencial competitivo passa, segundo Ana Côrte-Real, pela capacidade de compreender as implicações estratégicas e humanas da tecnologia. “Aquilo que distingue um líder não é apenas a capacidade técnica de utilizar tecnologia”, sublinha.
Nos programas de MBA da Porto Business School, essa realidade traduziu-se num reforço das competências humanas e de liderança. O percurso formativo inclui coaching individual, desenvolvimento de comunicação estratégica, negociação, gestão de conflitos e tomada de decisão em contextos complexos.
Ao mesmo tempo, o modelo pedagógico aposta no que a escola designa como aprendizagem ambidestra, que combina exploração e execução. Ou seja, a capacidade de questionar pressupostos e gerar novas ideias, mas também de testar soluções, medir resultados e ajustar rapidamente estratégias.
A ligação entre aprendizagem e realidade empresarial é reforçada no projeto final do MBA. Através do Capstone Project, os participantes trabalham sobre desafios concretos de negócio, muitas vezes relacionados com transformação digital, eficiência organizacional ou aplicação de inteligência artificial.
Flexibilidade para responder ao mercado descentralizado
Em muitos casos, os alunos desenvolvem o projeto a partir de problemas reais das suas próprias organizações. Há também equipas que colaboram diretamente com empresas do ecossistema da escola em projetos de consultoria ou que utilizam esta etapa final para desenvolver novas iniciativas empresariais. A lógica é garantir que o MBA não se limita à aquisição de conhecimento teórico, mas se traduz numa experiência aplicada com impacto direto nas organizações.
A expansão de centros tecnológicos e de investigação pelo país está também a alterar o perfil dos executivos que procuram formação avançada. Para responder a esta realidade, a Porto Business School tem vindo a apostar em modelos de aprendizagem mais flexíveis. Hoje coexistem formatos presenciais, híbridos e totalmente online, permitindo que profissionais de diferentes geografias participem nos programas sem interromper a sua atividade profissional. Um exemplo é o Flex Model do Executive MBA, que combina sessões presenciais com momentos online, mantendo espaços de interação e networking considerados essenciais na formação executiva.
Inovação e tecnologia na sala de aula
A integração da tecnologia na experiência de aprendizagem tem sido outro eixo central. Simuladores de decisão, plataformas colaborativas e ferramentas de análise de dados são utilizados para criar ambientes que replicam a complexidade das decisões empresariais.
Entre as iniciativas mais recentes está o AI Business Impact Challenge, um desafio que coloca equipas de alunos a trabalhar durante uma semana em soluções para problemas estratégicos apresentados por empresas. Este ano, o desafio foi lançado pela Sword Health, numa iniciativa que incluiu também um workshop desenvolvido em parceria com a Amazon Web Services.
Mais do que ensinar ferramentas específicas, o objetivo é desenvolver literacia digital e capacidade de interpretação estratégica da tecnologia. Tendo em conta que muitas competências técnicas têm ciclos de obsolescência cada vez mais curtos, a escola aposta também em meta-competências como o pensamento crítico, a learning agility e a capacidade de adaptação. “A competência passou a ser um processo contínuo de aprendizagem e de adaptação”, resume Ana Côrte-Real.