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O investimento que acelera carreiras e transforma gestores

É no equilíbrio entre a tecnologia e a liderança humana que os MBA reforçam o seu valor, afirmando-se como uma das formações mais procuradas por profissionais que querem acelerar a carreira, mudar de setor ou assumir funções de maior responsabilidade.

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Os MBA transformam carreiras
Os MBA transformam carreiras GettyImages

Os programas de MBA continuam a afirmar-se como uma das formações mais valorizadas por profissionais e empresas. Mais do que um diploma, representam uma ferramenta de transformação de carreira, de aceleração salarial e de desenvolvimento de competências de liderança cada vez mais raras no mercado. Se a tecnologia redefine a forma como as empresas operam, também está a reforçar a importância das competências humanas na gestão. “De forma cada vez mais determinante, os profissionais necessitam de um reforço nas competências humanas – a empatia e a negociação são apenas algumas que um MBA poderá desenvolver”, afirma Bernardo Samuel, country head of Permanent Recruitment na Adecco Portugal.

De acordo com o responsável, estas capacidades tornam-se particularmente relevantes num contexto em que a inteligência artificial assume tarefas analíticas e operacionais. “A capacidade de gerir conflitos, ter conversas difíceis, inspirar equipas e criar ambientes de trabalho com propósito e cultura distintiva torna-se fundamental em alturas em que a IA assume de forma preponderante a análise preditiva, a otimização de processos e fluxos de trabalho”, explica Bernardo Samuel.

Reputação, rankings e contexto de mercado

Na decisão de contratação, a reputação das escolas de gestão continua a desempenhar um papel importante. Os rankings internacionais funcionam frequentemente como um primeiro filtro para empresas globais, mas não são o único critério. “Os rankings funcionam como um filtro de reputação e uma garantia de qualidade”, confirma Bernardo Samuel.

Para grandes multinacionais ou consultoras estratégicas, um MBA de uma escola internacional de topo assegura padrões de rigor académico, um corpo docente com experiência empresarial e acesso a uma rede de alumni global. Ainda assim, o enquadramento estratégico da empresa influencia a escolha. “Empresas de âmbito nacional poderão preferir um candidato de uma escola local de prestígio que domine o ecossistema regional a um candidato internacional de topo que não compreenda as especificidades do mercado local”, acrescenta o especialista em recrutamento.

Em Portugal, onde as pequenas e médias empresas representam a espinha dorsal da economia, os programas de MBA têm também um papel relevante na profissionalização da gestão e na preparação de novas gerações de líderes empresariais.

Segundo Ana Côrte-Real, faculty & corporate relations director & Executive MBA director da Porto Business School, esta realidade está refletida no perfil dos participantes. “Nos MBA da Porto Business School encontramos participantes provenientes de multinacionais, scale-ups, empresas familiares e PME em processo de crescimento ou internacionalização.” O objetivo passa por ajudar estes profissionais a estruturar a gestão das organizações. Em muitos casos, o próprio programa integra desafios empresariais reais. “Muitos Capstone Projects são desenvolvidos precisamente sobre desafios estratégicos de empresas familiares, permitindo aplicar ferramentas de gestão e frameworks estratégicas diretamente nesses contextos empresariais”, acrescenta a responsável.

Investimento em formação com retorno rápido

Uma das perguntas mais frequentes entre candidatos prende-se com o retorno financeiro do investimento num MBA. Apesar de variar de acordo com o percurso individual, os dados das escolas indicam que o impacto salarial tende a ser significativo. De acordo com Maria José Amich, diretora-executiva do The Lisbon MBA, os resultados do Executive MBA demonstram um retorno rápido: “Os nossos graduados do Executive MBA registam um aumento salarial médio de +63% três anos após a conclusão do programa, auferindo, em média, 180.000€ de salário bruto anual, o que, tendo em conta o investimento total no MBA, representa um payback aproximado de 18 meses após a graduação.” Além do salário, há também ganhos internos nas organizações. “Dois terços dos nossos alunos do Executive MBA são promovidos, em média, um ano após a conclusão do programa”, acrescenta a responsável.

Outras escolas apontam para horizontes semelhantes. Luís Marques, diretor do MBA Executivo da Católica Porto Business School, refere que o retorno ocorre normalmente “entre dois e quatro anos”, muitas vezes associado a progressão salarial ou acesso a funções de maior responsabilidade.

Já José Crespo de Carvalho, presidente do Iscte Executive Education, sublinha que o impacto vai muito além do retorno financeiro imediato. “O verdadeiro retorno, contudo, mede-se em capacidade de decisão, autonomia e estruturação de pensamento durante muitos anos”, destaca o docente.

Empresas apostam na retenção de talento MBA

O aumento salarial associado ao MBA resulta de uma combinação de fatores. Para Bernardo Samuel, o prestígio da escola e as competências adquiridas funcionam em conjunto. Segundo este responsável da Adecco Portugal, “o aumento salarial, que se prevê que aconteça pós-MBA, é o resultado de um conjunto de questões: por um lado, pela reputação da escola de Gestão (…) e de questões de carácter mais estratégico, de tomada de decisão em situações ambíguas e de networking”.

Na prática, a formação permite a muitos profissionais dar o salto de funções operacionais para cargos de liderança. “Pressupõe-se que o profissional adquira competências de gestão efetiva de negócios, transitando de uma função de executor de tarefas. Desta forma, o salto remuneratório é traduzido em funções de management ou, eventualmente de C-level”, acrescenta Bernardo Samuel.

Com a crescente mobilidade dos profissionais qualificados, muitas empresas procuram garantir que o investimento em formação não se perde rapidamente para a concorrência. Entre as estratégias mais comuns estão cláusulas de permanência associadas ao financiamento do MBA, a integração imediata em projetos estratégicos ou programas de mentoria com líderes de topo. Segundo Bernardo Samuel, estas iniciativas respondem a uma ambição comum entre os graduados: ter impacto real nas decisões da organização e participar nos processos estratégicos da empresa.

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