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O que distingue um MBA presencial na era das plataformas digitais

Os programas presenciais provam que a verdadeira liderança não se aprende apenas atrás de um ecrã. Desenvolve-se em equipas multiculturais, debates intensos e experiências que desafiam decisões reais.

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A experiência presencial é importante
A experiência presencial é importante GettyImages

Atualmente, as plataformas digitais como edX ou Coursera permitem acesso fácil a conteúdos de elevada qualidade. Mas o que distingue um MBA presencial desta experiência online? Para os responsáveis de algumas das principais escolas portuguesas, a diferença reside na transformação pessoal e profissional que só um programa imersivo e experiencial consegue proporcionar.

“Uma plataforma online entrega conteúdo e bom conteúdo, sem dúvida. O que não entrega é a experiência de liderar uma equipa multicultural sob pressão real, de negociar com um par em Boston, de partilhar um pequeno-almoço com um CEO que se torna mentor, de ser confrontado com o seu estilo de liderança pela Marinha Portuguesa, de construir uma rede de relações que dura décadas”, exemplifica Maria José Amich, diretora-executiva do The Lisbon MBA. Para esta responsável, o diferencial do programa presencial está na imersão experiencial: “O nosso MBA acontece em três campus, Lisboa, Carcavelos e o MIT Sloan em Boston. Acontece nas equipas de trabalho, nas conversas de corredor, nas missões de estudo internacionais. Acreditamos que a aprendizagem mais poderosa é experiencial, relacional e imersiva. E esse é o nosso compromisso com cada aluno.”

No AESE Executive MBA, Agostinho Abrunhosa reforça a mesma ideia: “A diferença está no contexto: dois anos a aprender e a decidir ao lado de pares com quem se criam laços profundos, sob a orientação de um corpo docente com experiência real em direção-geral, com coaching individualizado, com semanas internacionais imersivas e com um network de mais de 9.000 alumni AESE. Isso não se replica num curso online, por mais bem produzido que seja.” O prestígio da formação executiva em Portugal, sublinha este responsável, depende de investimento contínuo em qualidade, atualização e internacionalização.

Dimensão relacional é fundamental

Na Porto Business School, Ana Côrte-Real, diretora do Executive MBA, explica que “as plataformas digitais democratizaram o acesso ao conhecimento e isso é extremamente positivo”. “No entanto, um MBA vai muito além da transmissão de conteúdos. Inclui debate intenso entre participantes com percursos distintos, trabalho em equipa, contacto direto com faculty e executivos convidados e uma forte integração com o ecossistema empresarial”, recorda. A dimensão comunitária e relacional é fundamental. Ana Côrte-Real refere que muitos projetos, oportunidades profissionais e parcerias surgem precisamente dessas interações. “Mesmo no caso do Global Online MBA, mantemos momentos presenciais estratégicos — como a Orientation Week, o Business Impact Challenge, a Global Immersion Week e a graduação — porque acreditamos que a aprendizagem mais profunda acontece na intersecção entre conhecimento, experiência e comunidade”, destaca a responsável.

Joana Santos Silva, CEO da ISEG Executive Education, defende que há uma distinção clara entre conteúdo digital e formação executiva. Segundo esta responsável, as plataformas digitais entregam conteúdo. Para a CEO, o ensino não é passivo e não entrega apenas conteúdos digeríveis. Os alunos são postos à prova em diversas circunstâncias que obrigam a imergir em experiências, desafios e tomada de decisão que tenta mimetizar o mundo real de gestão. “Um MBA no ISEG em nada se compara a um programa do Coursera”, defende. A distinção da escola é reconhecida internacionalmente: “Somos Triple Crown — uma distinção que apenas 1% das business schools no mundo alcançam. Temos acreditação AMBA desde 2007 e estamos na 42ª edição de um dos MBA mais antigos da Europa. Excelência não é ‘downloadável’. Exige rigor, acompanhamento humano, rede, exigência intelectual e desconforto produtivo”, sublinha ainda Joana Santos Silva.

Networking direto e cara a cara

Também na Católica Porto Business School, Luís Marques sublinha a importância da experiência presencial e da rede: “A experiência presencial, o debate entre executivos com trajetórias diversas, o contacto direto com docentes e líderes empresariais e a construção de uma comunidade de alumni são elementos fundamentais na formação de líderes.” De acordo com este responsável, a dimensão internacional reforça ainda mais estas oportunidades, já que o MBA Executivo inclui uma International Week realizada com a ESADE Business School, em Barcelona. “Que também promove networking internacional, direto e cara a cara, e a criação de ligações mais duradouras.” Mais recentemente, Luís Marques explica que a escola integrou o EMBA Consortium, uma rede internacional de 16 business schools com programas de excelência, que permitirá aos futuros alunos realizar uma semana internacional adicional numa das escolas parceiras.

Por sua vez, José Crespo de Carvalho, presidente do Iscte Executive Education, defende que “o conteúdo digital é abundante, mas a transformação executiva não é assim tão abundante”. Para este especialista, a diferença está na interação, na rede, na exigência, no confronto intelectual e na aplicação prática. “Não fazemos assíncrono a não ser como ‘make to order’. Não competimos por preço; competimos por impacto”, assume Crespo de Carvalho.

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