Ao longo de 27 anos, o Grupo Norfin consolidou-se como uma das principais plataformas independentes de gestão de ativos imobiliários em Portugal, com presença em diferentes segmentos, do residencial aos escritórios, logística e hospitality. “O balanço é claramente positivo, marcado pela capacidade de adaptação a diferentes ciclos económicos, pela diversificação do portefólio e pela atração de capital institucional internacional”, refere Francisco Sottomayor, CEO da Norfin.
Esta evolução acompanhou uma mudança de posicionamento. De uma lógica centrada na gestão de fundos, a empresa passou para uma abordagem integrada, intervindo ao longo de toda a cadeia de valor. “Hoje, não nos limitamos à gestão de fundos, intervindo em todo o ciclo do investimento imobiliário, desde o investimento e a estruturação financeira até ao desenvolvimento e gestão operacional dos ativos", sublinha.
Esta integração revela-se particularmente relevante em projetos complexos, como a reabilitação urbana, onde a coordenação entre financiamento, conceção e execução é determinante. A capacidade de alinhar estas dimensões desde o início permite maior controlo sobre prazos, custos e risco, num mercado marcado por prazos longos e elevada complexidade de execução.
Projetos que combinam escala, impacto urbano e complexidade técnica têm vindo a ganhar peso no portefólio da empresa. O Oriente Green Campus, em Lisboa, é um dos exemplos mais relevantes, não apenas pela dimensão e utilização, mas também pela componente de sustentabilidade, com certificações LEED Platinum e WELL Platinum Core. Em Vilamoura, desenvolvimentos como o Springs, Nobilus e Botanica reforçam a oferta residencial do destino, enquanto o projeto Campo Novo, em Lisboa, traduz uma lógica de regeneração urbana com uso misto.
A atuação da Norfin abrange diferentes perfis de investimento, refletindo uma base diversificada de investidores institucionais. No final de 2025, a plataforma geria cerca de 2,7 mil milhões de euros em ativos imobiliários, distribuídos por 26 projetos, dos quais 1,1 mil milhões através da Norfin SGOIC. Esta escala permite combinar estratégias distintas, desde perfis core a operações oportunísticas, ajustadas ao perfil de risco e retorno de cada investidor.
"Há hoje uma convergência crescente em torno de critérios de risco, sustentabilidade e retorno ajustado", refere Francisco Sottomayor, destacando, ainda assim, uma maior exigência dos investidores internacionais ao nível da previsibilidade e da estabilidade do enquadramento.
Esta exigência tem impacto direto na forma como os projetos são estruturados. A necessidade de garantir retorno ajustado ao risco, num contexto regulatório exigente e com prazos longos de desenvolvimento, reforça a importância de operadores com capacidade técnica, financeira e de execução. A multidisciplinariedade assume aqui um papel relevante: a leitura financeira permite equilibrar perfis de risco e retorno, o conhecimento do mercado sustenta decisões de investimento e a capacidade em engenharia antecipa riscos construtivos, custos e oportunidades de valorização.
Consolidação de projetos na habitação e no residencial turístico
Para 2026, a estratégia passa pela consolidação dos projetos em pipeline, com foco na habitação e no residencial turístico, privilegiando a reabilitação e o reposicionamento de ativos. Entre os projetos em destaque estão o Monte Rei Golf & Country Club, “um investimento com forte capacidade de valorização, combinando oferta residencial, hospitalidade e lifestyle”, e o Aroeira Collections by Missoni, que representa um investimento de cerca de 200 milhões de euros e introduz em Portugal o conceito de branded residences, combinando design internacional com desenvolvimento local.
Esta abordagem incorpora, de forma crescente, critérios ambientais, sociais e de governação. “Os critérios ESG são cada vez mais centrais, influenciando desde a seleção de ativos até ao desenvolvimento dos projetos”, sublinha o CEO.
Num contexto de maior exigência ao nível do investimento e do desempenho dos ativos, o papel de operadores com escala e abordagem integrada tende a ganhar relevância. A capacidade de estruturar investimento, gerir risco e executar projetos complexos poderá ser determinante para transformar procura em oferta efetiva.