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Qualidade do ar interior ganha espaço na reabilitação urbana

Em edifícios mais eficientes e estanques, a qualidade do ar interior emerge como um novo desafio para a habitação. Este desafio torna-se ainda mais evidente num parque habitacional envelhecido e em processo de reabilitação, onde a ventilação ganha um papel central no conforto, no desempenho e até na saúde.

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Qualidade do ar interior é fundamental
Qualidade do ar interior é fundamental GettyImages

Em Portugal, onde grande parte do edificado é anterior às atuais exigências técnicas, muitos processos de reabilitação continuam a não integrar soluções adequadas de ventilação. O resultado é a persistência de problemas como humidade, condensação e má qualidade do ar interior, que mantêm o tema no centro da discussão sobre habitação.

A Wayse, fundada em 2008, iniciou atividade como fornecedora de soluções de energia solar térmica, mas evoluiu para uma área hoje crítica no desempenho dos edifícios. "A Wayse está hoje dedicada a fornecer sistemas de ventilação mecânica descentralizada para habitações", explica António Ravara Bello, diretor-geral da empresa, destacando a parceria com a alemã Lunos na melhoria da qualidade do ar interior.

Num contexto em que muitos edifícios antigos apresentam problemas de humidade, condensação e circulação insuficiente de ar, a introdução de soluções simples e de rápida instalação pode fazer a diferença. Ao contrário dos sistemas centralizados, estas soluções permitem a instalação direta nas paredes exteriores, sem necessidade de redes de condutas. "Um ventilador por quarto de dormir e outro na sala (...) resolvem com grande melhoria a qualidade do ar interior da habitação", refere o responsável.

A eficiência energética é outro dos fatores críticos. Com consumos elétricos reduzidos e a possibilidade de integrar sistemas com recuperação de calor, estas soluções permitem melhorar o desempenho térmico sem impacto relevante na fatura energética. "Os ventiladores são tão eficientes no consumo de eletricidade que a fatura quase não se altera", sublinha António Ravara Bello.

Bastaram dois dias…

Um exemplo concreto ilustra o impacto destas soluções. Numa habitação do século XVIII, em Lisboa, reabilitada sem sistema de ventilação, começaram a surgir problemas de humidade, odores e níveis elevados de dióxido de carbono. "Em dois dias, foram instalados ventiladores com recuperação de calor que resolveram estes problemas, com forte melhoria da qualidade do ar interior", recorda.

Com edifícios cada vez mais eficientes do ponto de vista energético, a ventilação tende a ganhar um papel estrutural. "O tema é de tal forma relevante que tem impacto na saúde pública", afirma o diretor-geral da Wayse, lembrando que a habitação é o espaço onde se passa grande parte do tempo. Neste contexto, a qualidade do ar interior deixa de ser um detalhe e passa a integrar o núcleo das preocupações associadas à habitação e ao desempenho global dos edifícios.

Os ventiladores são tão eficientes no consumo de eletricidade que a fatura quase não se altera. António Ravara Bello, diretor-geral da Wayse.
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