pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Formar líderes para responder à mudança

Num período de profundas alterações do tecido empresarial, universidades e escolas de negócios apostam em programas que capacitam os profissionais para lidar com as novas exigências das organizações, adaptando-se a um mercado sempre dinâmico.

11:25
Gestores têm de responder à mudança
Gestores têm de responder à mudança GettyImages

Hoje, multiplicam-se os desafios para profissionais e organizações no mundo empresarial. Os mestrados e as pós-graduações assumem-se como soluções fundamentais para uma atualização permanente de competências, proporcionando aos profissionais as ferramentas indispensáveis para se manterem competitivos e líderes no seu setor. E se os recém-licenciados, na maioria dos casos, já prosseguem naturalmente os estudos para um mestrado, quem já está estabelecido também regressa em força às universidades para atualizar competências. Mestrados e pós-graduações são, atualmente, uma ferramenta necessária para progredir na carreira.

“A formação ao longo da vida tornou-se essencial. As funções evoluem rapidamente e manter relevância profissional exige atualização constante de conhecimentos e competências ao longo da carreira”, diz Patrícia Teixeira Lopes, vice-dean da Porto Business School. “As organizações e os mercados estão a atravessar um período de transformação acelerada. A digitalização, a inteligência artificial, a transição para modelos mais sustentáveis e as novas dinâmicas geopolíticas estão a alterar a forma como as empresas operam e as competências que procuram nos profissionais.” Ou seja, “investir em formação executiva é uma forma de reforçar competências e ganhar uma visão mais estratégica das organizações.”

Érica Pereira, professional talent solutions director da Randstad Portugal, é perentória: mestrados e pós-graduações são essenciais para formar profissionais especializados e com visão estratégica.  Segundo a responsável da Randstad Portugal, o tecido empresarial português está em forte processo de modernização e internacionalização, exigindo quadros que tragam metodologias atualizadas e uma visão estratégica que é consolidada nestes ciclos de estudos. “A principal vantagem é a especialização técnica e a diferenciação competitiva. O nosso mercado laboral exige a licenciatura como base, mas revê nos mestrados ou nas pós-graduações uma maior análise crítica, disciplina e um domínio mais profundo no manuseamento de ferramentas específicas que as empresas necessitam para resolver problemas mais complexos”, assegura.

Com um mercado em permanente ebulição, esta necessidade de formação já foi identificada pelos profissionais, com as instituições de ensino superior a terem cada mais solicitações. “A procura por formação avançada tem vindo a crescer à medida que o mercado exige perfis mais especializados, mais internacionais e mais capazes de acompanhar contextos de mudança acelerada”, garante Paulo Alves, vice-diretor da Católica Porto Business School (CPBS), acrescentando: “As empresas procuram hoje perfis com três camadas de competências: base técnica sólida, capacidade analítica e maturidade para tomar decisões em contextos de incerteza. Por isso valorizam cada vez mais programas que combinam finanças, gestão, marketing, dados, tecnologia, sustentabilidade e liderança.”

A procura por formação avançada tem vindo a crescer à medida que o mercado exige perfis mais especializados, mais internacionais e mais capazes de acompanhar contextos de mudança acelerada. Paulo Alves, vice-diretor da Católica Porto Business School.

José Crespo de Carvalho, presidente do Iscte Executive Education, é taxativo: “Hoje procura-se o que dá alavanca: gestão com dados (analytics/IA aplicada), finanças, decisão, liderança e transformação, operações/supply chain e eficiência, saúde e serviços e temas de compliance/risco/reporting.” Neste contexto, afirma, a inteligência artificial não vem substituir a formação, antes pelo contrário: “Altera o que é valioso: menos memorização, mais pensamento crítico, framing de problemas, qualidade de decisão, ética, comunicação e execução. Há que entender o quê das coisas. A relevância garante-se com três hábitos: aprender continuamente, aplicar em projetos reais e manter uma base sólida de gestão (porque as ferramentas mudam, mas os raciocínios ficam).”

Responder a todas estas exigências do mercado é o principal repto que se apresenta ao ensino superior atualmente, como explica Óscar Afonso, diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto: “Um dos principais desafios para o ensino superior é acompanhar a velocidade da transformação económica e tecnológica. Hoje as empresas procuram profissionais com competências analíticas, digitais e estratégicas cada vez mais sofisticadas. Por isso, é fundamental reforçar a ligação entre universidades e organizações, garantindo que os programas académicos acompanham a evolução das necessidades do mercado.”

Já para os profissionais, o grande desafio é manterem-se relevantes neste mundo em mudança acelerada. “Apostar em mestrados e pós-graduações significa reforçar a empregabilidade, acelerar a progressão e ganhar capacidade de mobilidade, inclusive internacional”, refere Paulo Alves, responsável da CPBS, e prossegue: “A conclusão é hoje muito clara: a formação deixou de ser um momento e passou a ser um processo contínuo. Quem não investir em aprendizagem ao longo da vida arrisca-se a perder relevância mais depressa do que imagina. E isso aplica-se tanto a quadros mais jovens como a profissionais já experientes, porque o ritmo da mudança não faz distinções geracionais.”

Mais notícias