pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Uma ferramenta de progressão

Atualização rápida, especialização focada e reforço de competências. As pós-graduações respondem às necessidades de um mercado cada vez mais exigente e em constante mudança.

11:24
Objetivo: progredir na carreira
Objetivo: progredir na carreira GettyImages

Num mercado em constante mudança, os profissionais têm de responder. É preciso adaptar-se, adquirir novas competências, navegar num mundo em permanente ebulição. Se uma licenciatura não chega para entrar no mercado, um lugar numa empresa de prestígio não garante uma carreira de sucesso. As pós-graduações respondem às necessidades de quem procura atualizar competências, mudar de carreira ou progredir nesta.

Isso mesmo defende José Crespo de Carvalho, presidente do Iscte Executive Education. “A licenciatura já não está a chegar para entrar e claramente não chega para progredir. As pós-graduações ganharam relevância porque são rápidas, focadas e acionáveis. Um ótimo retooling para mudança de função ou ascensão na carreira.” Aliás, refere, a melhor altura para fazer um curso de pós-graduação é precisamente “quando há um problema concreto a resolver, ou uma transição a fazer: novo cargo, nova área, necessidade de ganhar método”, diz. E para escolher o programa a fazer, aponta cinco pontos essenciais: aplicabilidade; faculty e ligação ao mercado; projeto final/avaliação real; rede e perfil da turma; e compatibilidade de agenda.

Visão semelhante é partilhada por Paulo Alves. Segundo o vice-diretor da Católica Porto Business School, em muitos percursos, a licenciatura continua a ser uma base importante, mas para um número crescente de funções e contextos já não é um fator que faz diferença. “As pós-graduações ganharam relevância porque respondem a uma necessidade concreta do mercado: atualização rápida, especialização focada e reforço de competências num tempo útil para profissionais em atividade”, explica o responsável da Católica Porto Business School, acrescentando serem “particularmente relevantes em momentos de transição, progressão ou requalificação”. “Permitem aprofundar uma área específica sem exigir necessariamente a mesma disponibilidade de tempo que um mestrado, e têm por isso um papel muito importante na lógica de aprendizagem ao longo da vida”, conta. Até porque, defende, não há uma altura ideal para fazer este tipo de programa: “A melhor altura para fazer uma pós-graduação depende do objetivo. Pode ser no início da carreira, para ganhar profundidade; numa fase intermédia, para acelerar progressão; ou num momento de mudança, para reposicionamento profissional. O mais importante é escolher com critério: reputação da escola, qualidade do corpo docente, ligação ao mercado, atualidade dos conteúdos e capacidade real de transformar o percurso profissional”, aconselha.

Indispensável para quem se quer manter relevante

Para um mercado cada vez mais exigente e mutável, uma pós-graduação assume-se como uma ferramenta cada vez mais necessária. Este tipo de formação tornou-se “progressivamente mais relevante num mercado de trabalho caracterizado por mudanças rápidas, ciclos de inovação mais curtos e uma procura crescente por competências especializadas”. “Embora a licenciatura continue a ser a base da formação académica, muitas funções exigem hoje níveis mais aprofundados de conhecimento técnico, analítico ou estratégico”, explica Óscar Afonso, diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Ou seja, com as mudanças que afetam os setores de atividade ano após ano, os estudos pós-graduados destinam-se a todos profissionais que se queiram manter relevantes. “Mestrados e pós-graduações desempenham um papel importante não apenas como forma de aprofundar competências, mas também como instrumentos de atualização profissional ao longo da vida. A ideia de aprendizagem contínua – ou lifelong learning – tem vindo a afirmar-se como um princípio central das políticas de ensino superior a nível europeu e internacional”, diz.

Por outro lado, estas formações permitem responder a novos perfis de estudantes, recorda-nos. “Não se destinam apenas a recém-licenciados, mas também a profissionais que procuram atualizar conhecimentos, adquirir novas competências ou mesmo redefinir o seu percurso profissional. Mais do que um requisito formal, a formação pós-graduada tornou-se assim um investimento estratégico no desenvolvimento de capital humano, tanto para os indivíduos como para as organizações”, refere Óscar Afonso.

A opinião é unânime: sendo importante, a licenciatura já não chega, num mercado cada vez mais exigente e especializado. Quem o diz é Patrícia Teixeira Lopes, vice-dean da Porto Business School. “O mercado de trabalho tornou-se mais exigente e especializado. Por isso, as pós-graduações e os programas executivos têm hoje um papel relevante na atualização de competências e no desenvolvimento de novas áreas de conhecimento ao longo da carreira. Este tipo de formação permite aprofundar temas específicos de gestão, tecnologia ou estratégia e é especialmente útil para profissionais que já estão no mercado e procuram evoluir para funções com maior responsabilidade”, assegura, salientando que a melhor altura para fazer uma pós-graduação varia de acordo com o contexto de cada profissional. Para alguns surge após alguns anos de experiência, como forma de especialização. Para outros, pode ser uma oportunidade de reorientar a carreira ou preparar uma transição para funções de liderança. E conclui: “O mais importante é escolher um programa que combine qualidade académica com proximidade ao mundo empresarial e que proporcione um ambiente de aprendizagem em que seja possível partilhar experiências e construir uma rede profissional sólida.”

As pós-graduações são particularmente relevantes em momentos de transição, progressão ou requalificação. Paulo Alves, vice-diretor da Católica Porto Business School.

Um novo paradigma

Mais exigentes, mais internacionais e mais ligados ao tecido empresarial. O mapa de mestrados está a mudar e as universidades portuguesas estão a responder.

Longe vão os tempos em que uma licenciatura era suficiente para garantir um emprego de qualidade e uma carreira para a vida. Hoje, com licenciaturas de três anos e um mercado em constante mudança, os mestrados tornaram-se quase obrigatórios. Se, por um lado, os recém-licenciados seguem diretamente, uma vez concluída a licenciatura, para um mestrado integrado, por outro lado, profissionais já com uma carreira estabelecida regressam cada vez mais às universidades com o intuito de completar – ou complementar – a sua formação. Perante este novo normal, resta às universidades adaptarem-se e atualizarem, sistematicamente, a sua oferta formativa de segundo ciclo, respondendo às exigências do mercado – cada vez mais internacional.

“O mapa dos mestrados em Portugal tem evoluído de forma bastante clara ao longo da última década, acompanhando tendências que se observam também em vários sistemas de ensino superior europeus. Em primeiro lugar, verifica-se uma maior diversificação da oferta formativa, com programas cada vez mais especializados e orientados para áreas emergentes da economia, como a análise de dados, a inteligência artificial aplicada à gestão, a sustentabilidade ou a transformação digital”, explica Óscar Afonso, diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, acrescentando: “Ao mesmo tempo, os mestrados tornaram-se mais interdisciplinares. Muitos programas cruzam hoje áreas tradicionalmente separadas – como gestão, tecnologia, economia e políticas públicas –, refletindo a natureza cada vez mais complexa dos desafios enfrentados pelas organizações.”

Se antes era suficiente o título numa universidade portuguesa de prestígio, hoje a internacionalização assume protagonismo, sendo outra exigência do mercado, com as duplas titulações a serem cada vez mais pretendidas. “Outro elemento muito relevante é a crescente internacionalização. Um número crescente de mestrados é lecionado em inglês, atrai estudantes internacionais e integra parcerias com universidades estrangeiras, incluindo programas conjuntos ou duplas titulações. Esta dimensão internacional tem sido fundamental para aumentar a competitividade das instituições portuguesas e para preparar os estudantes para carreiras em mercados globalizados”, defende o diretor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

Além disto, os dados de empregabilidade são um dos fatores decisivos na hora de um aluno escolher um programa de estudos. “Tem havido também uma maior preocupação com a empregabilidade e com a ligação ao tecido empresarial. Muitas instituições têm reforçado a presença de projetos aplicados, estágios, parcerias com empresas e docentes convidados provenientes da prática profissional”, assume Óscar Afonso. O saber já não chega – e não é um fim em si mesmo.

Procura com alterações

Também José Crespo de Carvalho, presidente do Iscte Executive Education, considera que a procura teve profundas alterações nos últimos anos, com os alunos a exigir internacionalização, compatibilização com vida profissional  e adequação ao mercado de trabalho: “Há três mudanças fortes: o mestrado deixou de ser ‘continuação natural’ e passou a ser decisão estratégica; cresce a procura por formatos compatíveis com trabalho (horários, blended, unidades modulares); e a internacionalização deixou de ser teórica e é um diferencial competitivo real, sobretudo em áreas nas quais o mercado é global. As áreas com mais protagonismo são as que juntam gestão + dados/IA, sustentabilidade (com métricas e reporting), saúde/serviços, e transformação/operational excellence.” Mais! Segundo o responsável do Iscte, “o ensino superior está a ser empurrado para provas de fogo: menos discurso, mais resultados, mais ligação às empresas, mais projetos e portefólio. No global, mais impacto.”

Paulo Alves, vice-diretor na Católica Porto Business School e diretor de mestrados da escola, partilha essa mesma visão: “O mapa dos mestrados em Portugal tornou-se mais internacional, mais competitivo e mais orientado para a empregabilidade”, resume.  “Hoje, os candidatos não escolhem apenas uma instituição; escolhem ecossistemas de carreira, redes internacionais, reputação e retorno do investimento. Foi por isso que rankings, acreditações e ligações às empresas ganharam tanto peso. A internacionalização é claramente um ponto-chave. Não apenas porque atrai estudantes estrangeiros, mas porque eleva a ambição académica, diversifica a experiência em sala de aula e aproxima as escolas portuguesas de padrões globais”, assegura. Tudo está a mudar, em Portugal e no mundo, e as universidades portuguesas estão a responder: “Áreas como finanças, gestão, marketing, business analytics, sustentabilidade, transformação digital e inteligência artificial assumem protagonismo crescente. O ensino superior está a mudar precisamente nesse sentido: menos compartimentado, mais internacional, mais exigente do ponto de vista de resultados e mais pressionado para provar relevância prática.”

O ensino superior está a ser empurrado para provas de fogo: menos discurso, mais resultados, mais ligação às empresas, mais projetos e portefólio. José Crespo de Carvalho, presidente do Iscte Executive Education.
Mais notícias