Tem sido tema constante em todas as áreas e não é por acaso. A inteligência artificial entrou de rompante e veio para ficar: da estratégia às finanças, do marketing às operações, tudo é afetado pela IA. O ensino superior não é exceção, com a procura de formações a refletir este novo paradigma. Patrícia Teixeira Lopes, vice-dean da Porto Business School (PBS), é taxativa: “As organizações estão a mudar rapidamente e isso reflete-se na forma como os profissionais procuram formação. Nos últimos anos, tem-se registado um interesse crescente por programas ligados à transformação digital, análise de dados, estratégia. tecnológica e integração da inteligência artificial nos modelos de negócio. Mais do que compreender a tecnologia em si, muitos profissionais procuram perceber como aplicá-la de forma prática e como pode gerar valor nas suas organizações.”
As escolas respondem a esta procura com formações próprias ou inseridas nos vários cursos. No caso da PBS tem vindo a integrar estas temáticas em diferentes programas e a desenvolver formações específicas nesta área. “O objetivo é ajudar líderes e gestores a compreender o impacto estratégico da inteligência artificial e a utilizá-la como ferramenta de decisão. Mais do que formar especialistas técnicos, o foco passa por preparar profissionais capazes de liderar num contexto em que a tecnologia se tornou parte integrante da estratégia das empresas”, defende Patrícia Teixeira Lopes.
Para a responsável da PBS, grande parte das mudanças verificadas na procura de formação de mestrados e pós-graduações tem, de resto, vindo a ser muito influenciada pela IA. Segundo Patrícia Teixeira Lopes, nos últimos anos tem-se registado uma procura crescente por formações nas áreas da transformação digital, estratégia, inovação, análise de dados, sustentabilidade e liderança. Temas que refletem os principais desafios e marcam a agenda das organizações, exigindo novas competências por parte dos profissionais. “A inteligência artificial veio acelerar muitas destas transformações. Mais do que introduzir novas ferramentas tecnológicas, está a influenciar a forma como as empresas analisam informação, tomam decisões e organizam os seus modelos de negócio”, diz, acrescentando que, neste contexto, manter relevância profissional implica continuar a atualizar competências durante a carreira. “A capacidade de aprender de forma contínua, aliada ao desenvolvimento de competências como pensamento crítico, liderança e comunicação, torna-se essencial, bem como a compreensão do impacto das tecnologias emergentes nas organizações. As escolas de negócios têm aqui um papel importante, ao apoiar profissionais e empresas na adaptação a estas mudanças e na aplicação prática do conhecimento em contextos reais de gestão”, sublinha.
José Crespo de Carvalho, presidente do Iscte Executive Education, acrescenta: “Hoje procura-se o que dá alavanca: gestão com dados (analytics/IA aplicada), finanças, decisão, liderança e transformação, operações/supply chain e eficiência, saúde e serviços e temas de compliance/risco/reporting.” Ou seja, a IA influencia o tipo de procura de cursos e aquilo que o mercado hoje valoriza num profissional – ou lhe exige –, mas não substitui a formação. “Nada disso. Altera o que é valioso: menos memorização, mais pensamento crítico, framing de problemas, qualidade de decisão, ética, comunicação e execução. Há que entender o quê das coisas. A relevância garante-se com três hábitos: aprender continuamente, aplicar em projetos reais e manter uma base sólida de gestão – porque as ferramentas mudam, mas os raciocínios ficam”, conclui o responsável do Iscte Executive Education.
Aprender, integrar e decidir
Também na Católica Porto Business School (CPBS) se assiste, hoje, a uma maior procura de áreas que se cruzam, diretamente, com as grandes transformações económicas e empresariais: finanças, gestão, marketing, análise de dados, inteligência artificial, sustentabilidade e liderança. “A inteligência artificial está a acelerar uma transformação que já vinha em curso nas organizações e no mercado de trabalho. Hoje, praticamente todas as áreas de gestão – da estratégia às finanças, do marketing às operações – são influenciadas por dados, tecnologia e automação. Isso tem tido impacto direto na forma como desenhamos os nossos programas e também na procura por formação”, informa Paulo Alves, o vice-diretor da CPBS. Mas, avisa, permanecer relevante nas próximas décadas exigirá mais do que literacia tecnológica. “Exigirá capacidade analítica, aprendizagem contínua, adaptabilidade, visão ética, domínio relacional e sentido estratégico. Em suma: a vantagem competitiva do futuro será cada vez menos de quem sabe uma coisa só, e cada vez mais de quem consegue aprender, integrar e decidir melhor do que os outros”, conclui.