A Mina da Lagoa Salgada é essencial para a transição energética e para a autonomia industrial europeia. Quem o diz é João Barros, CEO da RedCorp, numa conversa em que destaca a inovação tecnológica do projeto, aponta a segurança deste e assegura que localização não está próxima da cidade de Grândola, do litoral ou das zonas turísticas.
A Lagoa Salgada é um projeto de grande dimensão. Pode falar-nos um pouco sobre o projeto?
A Lagoa Salgada tem potencial para posicionar Portugal como produtor estratégico de metais críticos. Trata-se de um projeto moderno, tecnicamente robusto, alinhado com os princípios da mineração responsável e com os mais elevados padrões ambientais, sendo essencial para a transição energética e para a autonomia industrial europeia.
Adicionalmente, grandes operadores industriais europeus, nomeadamente fundições e refinarias de metais como zinco e cobre, enfrentam atualmente uma escassez de matérias-primas na Europa e veem projetos como a Lagoa Salgada como fundamentais para garantir a continuidade e estabilidade das suas cadeias de produção.
Que inovações tecnológicas e ambientais vai ter?
A Lagoa Salgada foi concebida como uma operação mineira moderna e de nova geração. O projeto incorpora várias inovações, incluindo rejeitados em pasta seca (dry-stack) para reduzir a pegada ambiental, sistemas avançados de gestão de água e monitorização ambiental contínua através de sensores dedicados que fornecem dados em tempo real sobre ruído, vento, poeiras, qualidade da água e outros parâmetros relevantes.
A nível energético, o projeto está alinhado com os objetivos europeus de descarbonização, incluindo o desenvolvimento de um parque solar de 38 MW. Este não é um projeto mineiro tradicional — reflete os mais elevados padrões atuais de mineração responsável.
Em que ponto se encontra o projeto?
O projeto vai entrar numa terceira fase de desenvolvimento e avaliação, incluindo processos de licenciamento e análise ambiental. Como é habitual neste tipo de iniciativas, trata-se de um percurso gradual, que envolve estudos técnicos, pareceres das entidades competentes e momentos de escrutínio público.
De que forma o projeto procura responder à questão dos aquíferos?
A questão dos aquíferos foi a mais estudada em todo o projeto. Existe atualmente um conhecimento muito aprofundado do sistema hidrogeológico local, baseado em vários anos de dados reais, monitorização contínua e um estudo hidrogeológico de base robusto. O projeto foi concebido com um princípio fundamental: não interferir com os aquíferos utilizados pela população. Para isso, incorpora soluções de engenharia específicas de isolamento e impermeabilização, evitando qualquer interação entre as operações mineiras e os sistemas aquíferos superficial e intermédio. As operações mineiras serão confinadas ao aquífero mais profundo, que já se encontra naturalmente afetado por sulfuretos e drenagem ácida. O projeto inclui sistemas de tratamento para melhorar a qualidade da água, permitindo a sua devolução ao mesmo aquífero (recarga) ou, se adequado e acordado, a outros sistemas utilizados pela população.
Qual é a vida útil prevista da mina?
O plano atual aponta para uma vida útil inicial de cerca de 14 anos. No entanto, este valor deve ser visto como um ponto de partida, não como um limite. Projetos desta natureza evoluem ao longo do tempo. Exemplos como as minas de Neves-Corvo e Aljustrel demonstram que operações inicialmente previstas para períodos mais curtos continuam ativas décadas depois. A Lagoa Salgada apresenta um levado potencial de exploração adicional, existindo fortes perspetivas de extensão da vida útil por mais 15 a 20 anos, ou mais.
Pode clarificar a localização do projeto, nomeadamente em relação à Comporta?
É importante clarificar que o projeto não se localiza na Comporta. A Lagoa Salgada situa-se no interior aproximadamente a 30-35 quilómetros da Comporta e da linha de costa, do lado interior da principal via rodoviária norte-sul. Não existe qualquer sobreposição física ou ambiental com zonas costeiras ou com a própria cidade de Grândola. Esta distinção é fundamental para assegurar uma correta perceção da localização do projeto e evitar equívocos associados ao litoral ou a zonas turísticas.
A experiência internacional da RedCorp é um garante de que o projeto é seguro?
Mais do que a experiência, é a qualidade técnica do projeto e das equipas que o desenvolveram que dá as necessárias garantias. Trata-se de uma equipa multidisciplinar com décadas de experiência internacional no desenvolvimento, licenciamento e operação de projetos mineiros, incluindo alguns dos maiores projetos de cobre, zinco e outros metais nas Américas e na Europa.
O projeto foi suportado por consultores e especialistas de referência internacional nas áreas da hidrogeologia, engenharia mineira e ambiente, com histórico comprovado em projetos complexos e altamente exigentes do ponto de vista técnico e regulatório. O estudo hidrogeológico de base foi reconhecido como particularmente robusto e acima do padrão habitual nesta fase, refletindo esse nível de competência e rigor.