A logística está a acelerar a adoção de tecnologia para responder ao aumento dos custos, à falta de mão de obra e à necessidade de ganhar produtividade. Automação, robótica, inteligência artificial, gestão de dados e cibersegurança estão já a entrar nas operações, sobretudo nas grandes empresas da indústria, energia, retalho e nos operadores logísticos. A mudança seguinte é a passagem da experimentação para a utilização efetiva da IA. “A IA está claramente a migrar da experimentação para a utilização operacional, mas em ritmos diferentes, dependendo do grau de evolução de cada organização”, explica Afonso Almeida, presidente da Direção da APLOG.
Na prática, os primeiros ganhos surgem em áreas como atendimento ao cliente, tratamento de documentação, gestão de stocks, otimização de rotas, operações de armazém e planeamento. A IA pode automatizar tarefas repetitivas, antecipar a procura, otimizar entregas e apoiar decisões, reduzindo tempos e recursos.
O problema já não é apenas ter acesso à tecnologia. É conseguir integrá-la na operação. “O foco é demonstrar que a ferramenta funciona e integrá-la em processos, sistemas, dados e decisões quotidianas e com retorno mensurável.” É também aqui que Portugal enfrenta um dos principais obstáculos. Segundo os dados apresentados por Afonso Almeida, 11,5% das empresas portuguesas com mais de dez trabalhadores utilizam IA, contra 20% na União Europeia. A falta de estratégia, a qualidade e integração dos dados e a escassez de competências digitais continuam a limitar a adoção.
A próxima fase da transformação passa, por isso, menos por testar novas ferramentas e mais por saber onde a IA resolve problemas concretos e gera resultados para a operação.