Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Citi: Portugal precisa de uma linha de crédito europeia antes de regressar ao mercado de dívida

O Citi exclui uma reestruturação da dívida portuguesa “ao estilo grego”, mas considera que Portugal não conseguirá regressar em 2014 ao mercado de financiamento sem apoio da União Europeia. Até porque, as necessidades de financiamento de Portugal entre 2014 e 2016 “são grandes”.

Bloomberg
Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 21 de Outubro de 2013 às 13:24
  • Assine já 1€/1 mês
  • 2
  • ...

“O programa de resgate português termina em Junho de 2014 e permanece incerto se Portugal vai pedir ajuda adicional. Dado o esforço orçamental que ainda está por implementar, a desalavancagem privada e consequente perspectiva de um crescimento nominal do PIB pobre, continuam a persistir dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública”, realça a casa de investimento numa nota de análise com data de 18 de Outubro.

 

Os analistas salientam também que “as necessidades de financiamento do Governo no período entre 2014-2016 são grandes”, pelo que o Citi “antecipa uma linha de crédito preventiva condicionada”, que deverá ser acordada “antes de Junho de 2014.”

 

E apesar deste ser o cenário mais central para casa de investimento, o Citi considera que um segundo programa de resgate permanece como um risco claro no cado do sentimento do mercado se deteriorar.”

 

“Em qualquer caso, pensamos que uma restruturação de dívida pública ao estilo grego é improvável no futuro próximo, mas uma reestruturação de algumas obrigações contingentes do Governo ainda é uma possibilidade”, acrescenta a mesma fonte.

 

O Citi considera que o regresso de Portugal ao mercado de financiamento sem qualquer tipo de apoio da União Europeia ou “sem reestruturação da dívida” continua “altamente incerto”.

 

O banco de investimento realça que o ajustamento económico “está a progredir lentamente” contudo, “está longe de completo”.

 

O principal risco assinalado pelo Citi está relacionado com a evolução do rácio da dívida, que em 2012 ficou acima dos 124% e que deverá aproximar-se dos 128% este ano recuando para 126,6% em 2014.

 

Contudo, salientam os analistas, “o Governo português continua comprometido com a implementação do programa e isto assegura que alguma ajuda adicional seja disponibilizada pelos estados-membro da Zona Euro em forma de linha de crédito preventiva condicionada ou um pacote de ajuda total caso necessário.”

 

O Citi realça que “Portugal já fez alguns progressos no que respeita aos seus desequilíbrios” e, numa comparação com a Irlanda, que, como salvaguarda a casa de investimento, está numa situação melhor do que Portugal, sublinha que a correcção já feita pelo país no que respeita ao défice estrutural até “maior” do que o da Irlanda. Ainda assim, o endividamento continua mais elevado e com perspectivas de continuar a aumentar. E deixa um alerta: “se o crescimento nominal do PIB permanecer negativo nos 2%, o rácio de dívida vai explodir.”

 

E, considerando as estimativas para o défice e a dívida, o Citi acredita que “é preciso mais esforço orçamental”. Mas realça o facto de o Executivo ter reafirmado o seu compromisso de défice para o próximo ano de 4% do PIB. Neste caso, o risco está na possibilidade do Tribunal Constitucional chumbar algumas medidas de austeridade incluídas no Orçamento do Estado para 2014.

 
Glossário

Há vários cenários possíveis em cima da mesa para países que estão intervencionados. Muitas siglas e muitos conceitos que, em muitos casos, se cruzam. Conheça os principais.

 

Linha de Crédito com Condições Reforçadas

Trata-se de um programa cautelar através do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), com o BCE na retaguarda, através do programa de compra de dívida. Esta é considerada a solução mais “robusta” no cenário de um programa cautelar. Contudo, para que este sistema seja activado será necessário que o país em causa consiga efectivamente regressar ao mercado de dívida, realizando mais do que uma emissão de obrigações.

 

Linha de Crédito Preventiva Condicionada

É um programa igualmente financiado através do MEE, mas com condições mais “leves”. Esta solução estará disponível para países com sinais robustos de recuperação, bem como com acesso ao mercado de dívida.

 

OMT

O OMT, como é conhecido na sigla em inglês, é o programa de compra de dívida pública no mercado secundário por parte do Banco Central Europeu (BCE). E serve como uma almofada para os países que estão a regressar ao mercado de financiamento. Com este programa, o BCE compra dívida dos países e atenua potenciais valorizações dos juros implícitos das obrigações.

 

Bail-in

Programa que passa por soluções internas e exclui novos financiamentos. Esta solução pode ser gerida através de vários meios. O RBS fala em duas medidas para Portugal: extensão de dívida e venda de ouro. Mas podem surgir outras formas de “financiamento” interno. E há resoluções mais drásticas, como as aplicadas em Chipre onde os depositantes com mais de 100 mil euros foram chamados a participar no “bail-in”. Contudo, este último cenário tem sido completamente excluído dos programas de Portugal ou da Grécia, tendo Chipre sido um caso pontual devido às características daquele mercado.

 

PSI

É a solução mais dramática para os detentores de dívida, já que passa pela assunção de perdas por parte os privados. Foi o que aconteceu no segundo programa de resgate da Grécia, onde os privados foram obrigados a assumir perdas superiores a 50%. Este é igualmente um cenário que tem sido completamente excluído nos casos de Portugal ou da Irlanda, com as autoridades a deixarem claro que esta solução foi usada excepcionalmente na Grécia.

Ver comentários
Saber mais Portugal Orçamento do Estado Citi conjuntura análise
Outras Notícias