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Seguro: "Mostrem a carta que escreveram ao FMI"

"Como os portugueses não têm nenhuma razão para acreditar na palavra deste Governo e deste primeiro-ministro, mais uma vez lanço o desafio: Digam aos portugueses o que está escrito na carta que escreveram ao FMI", disse Seguro.

Bruno Simão/Negócios
Lusa 20 de Maio de 2014 às 13:25
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O secretário-geral do PS insistiu hoje, de forma veemente, que o Governo divulgue imediatamente os compromissos assumidos com a 'troika' e que constam numa carta escrita ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

António José Seguro falava no final de uma visita a uma fábrica de tecnologias de telecomunicações "Wavecom", em Cacia, concelho de Aveiro, integrada na campanha do PS para as eleições europeias.

 

O líder socialista referiu-se à notícia hoje publicada no jornal Correio da Manhã, segundo a qual o Governo terá assumido o compromisso com a 'troika' (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) de proceder à privatização da Caixa Geral de Depósitos até ao final de 2015, o que o levou a renovar a sua exigência: "Mostrem a carta", declarou.

 

O Governo já desmentiu esta intenção de privatizar a CGD, afirmando que "notícia não tem qualquer fundamento".

 

Numa visita em que teve ao seu lado o cabeça de lista socialista às eleições europeias, Francisco Assis, e em que também estiveram presentes a eurodeputada Elisa Ferreira, o líder da Federação de Aveiro do PS, Pedro Nuno Santos, e os deputados socialistas Sérgio Sousa Pinto e Filipe Neto Brandão, o secretário-geral do PS fez no final um brinde com vinho Porto, que dedicou à saúde das empresas portuguesas.

 

Uma jornalista de televisão interrompeu o breve discurso de cortesia que Seguro se preparava para fazer, questionando-o sobre a presença do seu antecessor, José Sócrates, na campanha do PS, na próxima sexta-feira.

 

"O vinho do Porto está bom", comentou o líder socialista, desviando o assunto.

 

A seguir, António José Seguro falou com preocupação sobre a possibilidade de o Governo estar a comprometer-se externamente com a privatização Caixa Geral de Depósitos, perspectiva que a comissão de trabalhadores do banco do Estado diz estar incluída nos compromissos assumidos pelo executivo com a 'troika'.

 

"Como os portugueses não têm nenhuma razão para acreditar na palavra deste Governo e deste primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho], mais uma vez lanço o desafio: Digam aos portugueses o que está escrito na carta que escreveram ao FMI. O Governo tem uma carta prevista ou escrita ao FMI e não a divulga", salientou o secretário-geral do PS.

 

Confrontado com a acusação da coligação PSD/CDS de que o PSD não fez as contas sobre os custos das suas promessas constantes no documento "Contrato de confiança", Seguro rejeitou essa crítica.

 

Segundo Seguro, o PS fez as contas e essas contas são "clarinhas".

 

A fábrica hoje visitada por Francisco Assis e Seguro, que jogou pingue-pongue com o "braço direito" com o dirigente Pedro Vaz (braço-direito de Pedro Nuno Santos na Federação de Aveiro) é da área das tecnologias de rádio, foi criada em 2000 com apenas sete trabalhadores, tendo agora 53, sendo que a maioria dos engenheiros completou a sua licenciatura na Universidade de Aveiro.

 

A "Wavecom" presta serviços a praticamente todas as empresas nacionais de referência do PSI 20, em países como Cabo Verde, Angola, Moçambique e Espanha, apostando agora no mercado europeu.

 

No sábado, na final da Liga dos Campeões de Futebol, entre Real Madrid e Atlético de Madrid, no Estádio da Luz, em Lisboa, a "Wavecom" terá a responsabilidade de fornecer 'wifi' para seis mil pessoas, entre jornalistas e pessoal da UEFA.

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