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Um dos rostos da troika em Portugal vai deixar o FMI este ano

Abebe Selassie foi um dos chefes da missão do FMI durante a troika. Economista etíope está há mais de 32 anos no FMI e deverá deixar a organização em maio, quase quinze anos depois do pedido de resgate financeiro português.

Abebe Selassie (FMI), juntamente com Juergen Kroeger (CE) e Rasmus Ruffer (BCE), à saída de uma reunião da troika na Assembleia da República
Abebe Selassie (FMI), juntamente com Juergen Kroeger (CE) e Rasmus Ruffer (BCE), à saída de uma reunião da troika na Assembleia da República Bruno Simão/Jornal de Negócios
07 de Janeiro de 2026 às 18:24

O etíope Abebe Selassie, antigo chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) na troika, vai deixar a organização este ano. A saída de cena do diretor do FMI deverá acontecer em maio,  que obrigou o país avançar com cortes de despesa, aumento de impostos e reformas estruturais, em troca de 78 mil milhões de euros em ajuda externa. 

Economista de formação, Abebe Selassie foi chamado em fevereiro de 2012 para substituir o dinamarquês Poul Thomsen – conhecido como o "Senhor Olhos Azuis" do FMI – na representação da organização de Bretton Woods na troika (constituída por membros da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI). Mas acabou por não acompanhar a , em maio de 2014. Abandonou o cargo no verão de 2013 para ser vice-diretor do Departamento de África do FMI, sendo substituído pelo indiano Subir Lall.

Durante o período em que esteve a liderar a missão do FMI na troika, defendeu, em , que, se as medidas a adotar consistissem apenas em mais austeridade, a economia portuguesa não iria "sobreviver" e que era "imperativo" avançar com medidas de promoção da produtividade. Mostrou-se também contra a ideia de que baixar salários permitiria resolver o problema da competitividade e esclareceu que as mexidas na Taxa Social Única (TSU) não foram uma exigência da troika.

O economista etíope, licenciado pela London School of Economics, está há 32 anos no FMI. Antes de ser escolhido para liderar a missão do FMI na troika, participou em programas do FMI em países como a Roménia, Estónia, Turquia, Tailândia, África do Sul e Etiópia. Atualmente, é o diretor do Departamento de África do FMI, no qual supervisiona as operações e o envolvimento da organização com 45 países da África Subsaariana.

Numa nota de despedida, Kristalina Georgieva agradece a Abebe Selassie pela sua "liderança visionária", dedicação e "compromisso inabalável" com o FMI e os países apoiados. "O legado que deixa no Departamento de África do FMI está alinhado com as aspirações das pessoas, em especial dos jovens, a uma boa governação, economias fortes e prosperidade duradoura. O seu aconselhamento de confiança teve um valor inestimável para mim a nível pessoal, e a sua liderança fortaleceu a nossa missão", refere.

Recorde-se que, mais de uma década após a saída da troika, Portugal tem ainda pagamentos a fazer aos credores pelo resgate financeiro de 2011. Em dezembro, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, anunciou a , permitindo "uma poupança com os juros da dívida pública e contribuindo para a suavização do perfil de reembolsos da dívida pública nos próximos anos".

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