Chovem apelos para que Trump não rasgue o acordo do clima
Os receios de que Donald Trump rasgue o compromisso dos Estados Unidos para limitar o aquecimento global, ratificado no Acordo de Paris, voltaram a manifestar-se esta quarta-feira. Durante a Conferência da ONU sobre as Alterações Climáticas, que decorre em Marraquexe (Marrocos), o ainda secretário de Estado, John Kerry, e os líderes de grandes empresas pediram para que o novo presidente americano cumpra o acordo.
John Kerry garantiu que "os Estados Unidos estão hoje no bom caminho para atingir os objectivos internacionais que foram fixados". Confrontado com as declarações de Trump, que já disse que o aquecimento global é um embuste, Kerry diz que acha que o novo presidente não vai recuar. "Não penso que isto possa ser revertido", começou por dizer. Depois, mostrou-se esperançoso de que Trump fique mais moderado neste tema. "Algumas questões têm um aspecto diferente quando se está no poder", rematou.
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Também a partir de Marraquexe, os líderes de 360 grandes empresas, maioritariamente norte-americanas (como a Gap, Hewlett Packard, Kellog, Hilton ou Nike), enviaram uma carta a Donald Trump a pedir que este respeite o Acordo de Paris. "Apelamos aos eleitos norte-americanos para apoiarem firmemente a continuação das políticas (de redução de emissões de gases com efeitos de estufa) para permitir aos Estados Unidos cumprirem os seus compromissos", lê-se no apelo público divulgado à margem da conferência do clima promovida pela ONU.
Os chineses também estão atentos a Trump. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Liu Zhenmi, garantiu que a posição do Presidente norte-americano eleito, Donald Trump, quanto ao Acordo de Paris sobre as alterações climáticas "não afectará os compromissos" internacionais da China nesta matéria. Em Marraquexe, o governante indicou que numa conversa telefónica mantida na segunda-feira com Trump, o Presidente chinês, Xi Jinping, "lhe propôs manter a estreita cooperação que tem existido entre os dois países em matéria de combate às alterações climáticas nos últimos anos".
Embora acrescentando que Xi não obteve uma resposta de Trump, o vice-ministro chinês pediu cautela e alguns meses "para ver qual é a atitude do Presidente eleito a respeito da acção climática" e manifestou confiança em que "a principal potência económica do mundo não volte a repetir a atitude que teve no passado em relação ao Protocolo de Quioto", que assinou e depois não ratificou.
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