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Divórcios, heranças, um balcão onde o telefone não toca. Onde pode emperrar um despejo?

Regina Santos Pereira, advogada e especialista em arrendamento, é a convidada do novo episódio do podcast Urbanidades, no ar esta quarta-feira, e fala da sua experiência, tanto em representação de senhorios, como de inquilinos. "É um mito" que seja impossível despejar inquilinos em Portugal, mas o processo é complexo, burocrático e muitas vezes moroso, explica.

Regina Santos Pereira
Regina Santos Pereira Pedro Ferreira/Jornal de Negócios
11:00

O balcão do arrendamento, que era suposto processar um despejo em três meses, chega a levar ano e meio. Quase tanto como uma ação em tribunal se não houver recurso. É muito tempo? E por que razão entravam estes processos que, em nome do interesse de todos os envolvidos deviam, afinal, ser o mais rápidos possível, ou não estivesse em causa, afinal, a habitação, um direito fundamental para qualquer pessoa? 

Regina Santos Pereira é Sócia da SRS Advogados, onde se dedica ao Contencioso e Arbitragem, e especialista em direito do imobiliário, especialmente arrendamento urbano, área em que tem larga experiência. , a especialista passa em revista os meios legais que existem quando é necessário avançar com um despejo, nomeadamente por falta de pagamento de renda,

Na sua opinião, "é um mito" que seja impossível despejar inquilinos em Portugal, mas o processo é complexo, burocrático e muitas vezes moroso, o que desincentiva os proprietários. Os problemas residem mais na operacionalidade do sistema do que na legislação em si.

E no Balcão do Arrendatário e do Senhorio, mais conhecido como balcão do arrendamento, um dos principais entraves prende-se com as recusas iniciais. O problema, explica a jurista, “está logo na origem”, na forma como o procedimento foi criado e que permite que sejam desencadeadas recusas frequentes. Por razões tão simples como o facto de o proprietário do imóvel ter morrido e serem já os herdeiros a fazer o despejo; ou porque o inquilino quando fez o contrato era casado e entretanto se divorciou. 

Soma-se a isto o facto de o balcão “não ter pessoas licenciadas em direito” e não fazer “uma análise de direito aos documentos” apresentados, mas mais uma apreciação “formalista”. Tudo se processa através de formulários online e não existe sequer a possibilidade de um telefonema para desbloquear um qualquer problema de menor dimensão.

Regina Santos Pereira
Pedro Ferreira/Jornal de Negócios

Dados do Ministério da Justiça, , indicavam que em 2025 foram emitidos 1.447 títulos de desocupação no âmbito de processos de despejo, o que representa um aumento de 44% em relação ao ano anterior. É uma média de 120 por mês, que, acredita Regina Santos Pereira, estará relacionada com o aumento do incumprimento, e não tanto com o facto de o sistema estar mais oleado e também mais rápido. 

O Urbanidades é um podcast conduzido por Filomena Lança e José Diogo Marques e e nas principais plataformas.  

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