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O rio mais importante da Alemanha está a secar

As chuvas de primavera não se materializaram na Alemanha este ano, baixando os níveis do Rio Reno, o mais importante do país, e gerando preocupações de que importantes bens industriais possam ter problemas em chegar ao seu destino.

Correio da Manhã
Bloomberg 02 de Maio de 2020 às 13:30
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Abril é geralmente um dos meses mais chuvosos, mas a maior economia da Europa registou apenas 5% do volume de chuva normal para o mês até ao dia 27, segundo o serviço federal de meteorologia da Alemanha. Pode ser o mês mais seco desde que os registos começaram em 1881.

Além da vegetação amarelada, muito diferente do verde exuberante nesta temporada, o período seco reduziu os níveis de água do Rio Reno, um canal que transporta todo o tipo de mercadorias, como aço, petróleo e carvão, até às fábricas da Alemanha. O rio está agora no nível mais baixo para o final de abril desde 2011.

"Se não conseguirmos volumes de chuva mais normais em maio, teremos outro ano de sérias condições de seca", disse Andreas Friedrich, do DWD, serviço federal de meteorologia alemão.

Com origem no alto dos Alpes suíços, o Reno estende-se por mais de 1.300 quilómetros e transporta navios de carga por algumas das zonas industriais mais importantes da Europa antes de alcançar o Mar do Norte em Roterdão. Uma mistura de águas dos glaciares e chuva alimenta o rio, mas a contribuição dos glaciares diminuiu nos últimos anos com a formação de gelo no inverno a derreter no verão.

No ano passado, o Ministério dos Transportes da Alemanha anunciou planos para garantir que o Reno permaneça navegável para navios industriais, mesmo com o menor volume de água a cada ano. O programa inclui novos sistemas de alerta precoce e dragagem de algumas das partes mais rasas do rio.

No ano passado, empresas que navegam pelo Reno, como a Royal Dutch Shell e a BASF, compraram barcos mais pequenos, garantiram maior capacidade de camiões e comboios e guardaram mais fornecimentos em armazéns. Medidas que poderão repetir-se se a seca na Alemanha persistir.

As águas do estreito de Kaub caíram para 1 metro e 15 centímetros, menos de metade dos níveis médios para esta época do ano. As autoridades do serviço federal de meteorologia da Suíça disseram que as ondas de calor no verão de 2019 - com temperaturas acima de 25 graus Celsius nas zonas montanhosas - devem ter destruído ainda mais os glaciares, o que significa que não poderão contribuir para compensar a falta de chuva.

Embora os cientistas estejam confiantes de que o degelo glaciar decorre do aquecimento global, ainda não fazem uma ligação entre a tendência cada vez mais acentuada de menos chuvas em abril com as alterações climáticas, de acordo com o serviço federal da Alemanha.

No entanto, é possível sugerir que as temperaturas vistas na Europa em abril subiram devido ao aquecimento global e, como o ar mais quente pode reter mais humidade, as taxas de evaporação aumentaram, de acordo com Simon Lee, climatologista da Universidade de Reading.

"Associamos com mais frequência esse efeito às ondas de calor do verão", disse. "Mas o mecanismo é o mesmo e, à medida que a estação de cultivo se expande devido ao clima quente, os impactos desses períodos quentes no início da temporada podem tornar-se mais significativos."

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