Défice público de França desce para 5,1% do PIB em 2025 e dívida sobe

No que diz respeito ao défice, a redução em 2025 é explicada pelo efeito combinado de uma aceleração das receitas, a uma taxa de 3,9%, em comparação com 3,2% em 2024, e uma desaceleração da progressão da despesa pública, de 2,5%, contra 4% no ano anterior.
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Lusa 11:08

O défice público de França desceu em 2025 mais do que o esperado pelo Governo, concretamente para 5,1% do produto interno bruto (PIB), menos quatro décimas face a 2024, enquanto a dívida aumentou no conjunto do exercício.

O instituto nacional de estatística francês (INSEE), que publicou esta sexta-feira ambos os dados, precisou que a dívida pública era de 3,4605 biliões de euros no final de 2025 e representava 115,6% do PIB, quando um ano antes era de 3,3061 biliões e 112,6% do PIB.

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A percentagem, de 115,6% do PIB, no final de 2025 é um pouco inferior ao pico que tinha sido alcançado no terceiro trimestre (dívida de 3,484 biliões de euros equivalente a 117,2% do PIB).

O INSEE sublinhou que esta aparente diminuição na realidade deve ser relativizada, porque ao mesmo tempo as administrações públicas reduziram a tesouraria em 31.100 milhões de euros, fazendo com que na realidade a dívida líquida tenha aumentado em 8.100 milhões.

De qualquer forma, a razão da diminuição da percentagem da dívida nos últimos três meses do ano é explicada pelo aumento do PIB em valor neste período a um ritmo mais dinâmico do que a dívida líquida.

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No que diz respeito ao défice, a redução em 2025 é explicada pelo efeito combinado de uma aceleração das receitas, a uma taxa de 3,9%, em comparação com 3,2% em 2024, e uma desaceleração da progressão da despesa pública, de 2,5%, contra 4% no ano anterior.

O gasto público representou no ano passado 57,2% do PIB, mais duas décimas do que em 2024.

As prestações sociais contribuíram com quase 60% para o aumento do gasto público, com um aumento de 3,2%.

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Um elemento importante é a carga dos juros da dívida, que cresceu a um ritmo forte de 11,2%, embora inferior aos 13,9% de 2024, e isso devido ao aumento do volume dos empréstimos, mas também pela subida das taxas de juro que a França tem que pagar. Estes juros representaram 2,2% do PIB.

No que diz respeito às receitas, aceleraram pelo aumento dos impostos, em particular o imposto sobre as sociedades (sobre os lucros das empresas), os que incidem sobre a eletricidade e os obtidos por transações imobiliárias.

Os dados do défice de 2025 oferecem um certo alívio ao executivo, que conseguiu aprovar um orçamento para 2026 com um 'buraco' previsto nas contas públicas de 5% do PIB e qualquer desvio em relação a essa meta poderia ser punido pelos mercados da dívida.

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O primeiro-ministro, Sébastian Lecornu, numa mensagem nas redes sociais, congratulou-se com "resultados, não promessas vazias nem posturas políticas inúteis" e afirmou que o seu "método está a dar frutos, mas também a estabilidade política".

"Continuaremos - com cautela - para reduzir o défice abaixo de 5% até 2026", acrescentou.

A guerra no Médio Oriente representará um obstáculo nesse objetivo, tendo em conta que o INSEE já reviu esta semana em baixa as expectativas para a economia francesa, e espera um crescimento de 0,2% do PIB no primeiro e segundo trimestres, menos uma décima do que o calculado anteriormente para cada um.

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