Lagarde apela aos líderes europeus para "agirem" pela competitividade da UE

"Esta responsabilidade cabe aos líderes europeus. São eles que devem agir de acordo com o diagnóstico do Mario [Draghi]", defendeu a presidente do BCE.
D.R.
Lusa 13 de Maio de 2026 às 22:56

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) apelou esta quarta-feira aos líderes europeus para "agirem" a favor da competitividade da União Europeia (UE), citando o "diagnóstico" do seu antecessor Mario Draghi, que receberá quinta-feira o Prémio Charlemagne 2026.

"O seu relatório sobre a competitividade europeia - pelo qual recebe este prémio - evidenciou as fraquezas da Europa com uma precisão desconcertante: um mercado único ainda incompleto; mercados de energia demasiado fragmentados; mercados de capitais demasiadamente segmentados; indústrias de defesa ainda divididas segundo clivagens nacionais", afirmou Christine Lagarde no seu discurso proferido no jantar anterior à entrega do prémio a que a agência de notícias francesa AFP teve acesso antes.

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"Esta responsabilidade cabe aos líderes europeus. São eles que devem agir de acordo com o diagnóstico do Mario", acrescentou, citando o seu antecessor, que liderou o BCE de 2011 a 2019.

Muito creditado, por ter salvo o euro do colapso depois de ter prometido em 2012 "fazer tudo o que for necessário" para apoiar a moeda única no auge da crise da dívida na zona euro, Mario Draghi, tem exortado desde então a UE a aprofundar a sua integração económica para competir melhor com os Estados Unidos e a China.

No seu relatório de referência de 2024 sobre a competitividade, defendendo "reformas radicais" na UE, Draghi formulou 383 recomendações, apelando a uma regulamentação comum dos mercados de capitais do continente e a uma redução global da burocracia para as empresas.

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"Os Estados Unidos e a China entraram numa nova era de estratégia industrial e de concorrência geopolítica - exacerbada pelas guerras tarifárias e pelas batalhas em torno dos elementos raros - e tudo isto no meio da pior crise energética jamais registada", alertou agora a sua sucessora Lagarde.

E "a Europa encontra-se agora num mundo muito menos indulgente", acrescentou.

O prémio Charlemagne foi criado em 1949 para promover a construção europeia, após as destruições da Segunda Guerra Mundial.

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Entre os laureados anteriores estão o papa Francisco, Volodymyr Zelensky e o povo ucraniano, bem como o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, e o antigo presidente checo e dissidente anticomunista Václav Havel.

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