Pedido de Largarde para uma recapitalização "urgente" dos bancos surpreende Europa

Poucos meses depois de os testes de stress à banca europeia terem mostrado que apenas nove dos 91 bancos testados precisariam de reforçar o capital, a presidente do FMI vem a público dizer que os bancos necessitam de uma recapitalização "urgente" para impedir a ocorrência de um contágio.
Diogo Cavaleiro 29 de Agosto de 2011 às 11:56

"Os bancos precisam de uma recapitalização urgente. Têm de ser fortes o suficiente para resistir ao risco soberano e ao crescimento lento. É a chave para eliminar o contágio. Se não houver uma reacção, podemos assistir a uma maior disseminação das fragilidades económicas a países mais fortes, ou ainda a uma crise de liquidez", comentou Lagarde no encontro de banqueiros centrais em Jackson Hole, este fim-de-semana.

A antiga ministra das Finanças francesa adiantou que a recapitalização poderia ser feita através do Fundo Europeu de Estabilização Europeia (FEEF), que procederia a injecções directas no capital dos bancos mais frágeis.

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Estas declarações incendiaram a reacção europeia, de acordo com o "Financial Times". Isto porque os bancos estiveram a reforçar o seu capital antes dos testes de stress à banca europeia, no segundo trimestre de 2011.

As análises à robustez financeira do sector, feita pela Associação Bancária Europeia (EBA, na sigla inglesa), revelaram que apenas nove das 91 instituições analisadas tinham um rácio de capital "core Tier One" abaixo do mínimo exigido.

Por essa razão, houve quem classificasse os comentários como um "equívoco" ou como declarações "confusas", segundo o jornal de informação económica.

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"Os bancos em alguns países têm enfrentado problemas de garantia de liquidez nas últimas semanas e essa pressão vai continuar a acumular-se. Falar de capital é uma mensagem confusa. Toda a gente – políticos, reguladores, outras autoridades – está bastante preocupada", declarou um banqueiro central ao "Financial Times", assinalando que o problema pelo qual passa o sector financeiro tem que ver com a liquidez e não com capital.

Numa altura em que os investidores continuam a olhar com desconfiança para os bancos, o sector planeia pedir à presidente do FMI um esclarecimento das suas afirmações.

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