Mota Soares rejeita mexer no salário mínimo

Pedro Mota Soares diz que o Governo “não acredita num modelo económico assente em salários baixos” mas considera que não lhe cabe interferir no valor do salário mínimo nacional.
Elisabete Miranda 11 de Novembro de 2013 às 16:32

O Governo endossa a responsabilidade pela subida do salário mínimo para a concertação social e para a troika. Numa sessão parlamentar onde a oposição voltou à carga com o tema, o ministro Pedro Mota Soares diz que, embora o Executivo não concorde com um modelo assente em baixos salários, também não acha que seja responsabilidade sua a de liderar o processo de subida dos salários mais baixos em Portugal.

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“Não é o Governo que paga o salário mínimo. São as empresas e os empregadores. Por isso é que eles devem ser em primeira instância em concertação social”, disse Pedro Mota Soares, para voltar a lembrar que o memorando da troika impede a valorização da remuneração mínima mensal, que está desde 2011 congelado nos 485 euros.

 

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Para a oposição este não é, contudo, um argumento admissível. “Já alteraram muitas matérias que não estavam no memorando da troika”, apontou o socialista Miguel Laranjeiro. “Os cortes salariais não estavam no memorando, os cortes nas pensões não estavam no memorando, a subida do IVA da restauração não estava no memorando. Já agora, podiam incluir também o aumento do salário mínimo”, desafiou o deputado.

 

Socorrendo-se de declarações feitas este fim-de-semana pelo economista Paul de Grauwe, Miguel Laranjeiro diz que “aquilo que é mau para os portugueses parece que é bom para o Governo”.

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O deputado lembrou que os parceiros sociais e as associações patronais já se mostraram de acordo relativamente à subida do SMN e que quem não quer proceder ao seu aumento é o Governo, usando para tal as palavras do primeiro-ministro que há algumas semanas disse que “mais sensato seria até diminui-lo”, citou Miguel Laranjeiro.

 

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Para o Bloco de Esquerda a tentativa de demarcação de Pedro Mota Soares também não é credível: “É o Governo que tem a obrigação de publicar o SMN. Não é uma portaria do Governo?”, questionou a deputada Mariana Aiveca.

 

Já para Jorge Machado, do PCP, se o Governo não sobe o salário mínimo é “porque quer manter graus de exploração de quem trabalha”.

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Pedro Mota Soares garante que não: “O Governo não acredita num modelo económico assente em salários baixos”, disse.

 

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Desde a chegada da troika que a estratégia de reconquista de competitividade nacional tem apostado na redução dos custos salariais. Nesse sentido, foram adoptadas várias medidas, desde a redução das horas extraordinárias, as indemnizações por despedimento, o congelamento do salário mínimo, a redução dos feriados e dos dias de férias.

 

Recentemente, um estudo do Banco de Portugal concluía que em 2011 e 2012 39% das pessoas que mantiveram o seu emprego no sector privado registaram uma redução salarial na ordem dos 23%. Quem mudou de emprego perdeu 11% do seu salário, segundo o referido estudo.

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