Pelo menos oito navios conseguiram atravessar estreito de Ormuz
Pelo menos oito navios transportadores de petróleo e gás natural conseguiram atravessar este sábado o estreito de Ormuz, antes de o Irão reverter a decisão de reabrir a via marítima estratégica, segundo dados da empresa Kpler.
De acordo com a tecnológica que fornece dados de transporte marítimo em tempo real para os mercados, conseguiram atravessar o estreito, esta manhã, um petroleiro transportando crude, quatro navios com gás liquefeito de petróleo, dois navios mistos, com petróleo e produtos químicos, e um com "produtos petrolíferos" não detalhados.
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Este sábado de manhã, a página MarineTraffic mostrava mais de uma dezenas de embarcações circulando no estreito, entre as quais vários petroleiros perto da ilha iraniana de Larak, que funciona como posto de controlo.
Segundo a agência AFP, pelo menos três dos navios figuram na lista de sanções dos Estados Unidos.
Também um navio de cruzeiro sem passageiros utilizou a via marítima para ligar Dubai (Emirados Árabes Unidos) a Mascate (Omã) pela primeira vez desde 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel começaram a atacar o Irão.
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O Irão comunicou este sábado a retoma do controlo da passagem, em reação à manutenção dos bloqueios dos Estados Unidos, recuando na decisão, tomada na sexta-feira, de reabrir a via marítima.
O exército iraniano anunciou a reposição das restrições ao trânsito no Estreito de Ormuz, acusando os Estados Unidos de violarem os termos do acordo de cessar-fogo alcançado em 08 de abril.
Num comunicado divulgado pela emissora estatal iraniana IRIB, os militares explicaram que, apesar de terem concordado "de boa-fé" e "seguindo acordos prévios alcançados em negociações" em "permitir a passagem controlada de um número limitado de petroleiros e navios mercantes pelo estreito", os Estados Unidos "continuam a praticar atos de pirataria e banditismo sob o pretexto de um alegado bloqueio".
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Assim, o controlo do estreito regressará "ao seu estado anterior", ou seja "à estrita administração e controlo das forças armadas" iranianas.
Na sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, tinha anunciado a reabertura do Estreito de Ormuz até ao fim do prazo do cessar-fogo com os Estados Unidos, na próxima quarta-feira.
Após o anúncio de reabertura, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vincou que o bloqueio aos portos iranianos permaneceria "totalmente em vigor" até ao final das negociações para um acordo de paz, acrescentando que o cessar-fogo em vigor, que termina na quarta-feira, pode vir a não ser prolongado.
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"Talvez não o prolongue, mas o bloqueio continuará", disse aos jornalistas, na sexta-feira à noite, a bordo do avião Air Force One, quando questionado sobre o que faria se não se chegasse a acordo com o Irão. Mas "acho que isso vai acontecer", acrescentou Trump, referindo-se a um potencial acordo de paz.
Estados Unidos e Israel justificaram o ataque militar ao Irão lançado a 28 de fevereiro, data em que foi assassinado o líder supremo do país, Ali Khamenei, com a inflexibilidade da república islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que Teerão afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o estreito de Ormuz, abalando a economia mundial e causando um aumento acentuado dos preços da energia, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases dos Estados Unidos e infraestruturas civis em países da região, como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
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Washington e Teerão acordaram na noite de 7 de abril um cessar-fogo de duas semanas, período destinado a negociações assentes num plano de dez pontos apresentado por Teerão para pôr fim a 40 dias de guerra.
O plano iraniano inclui o levantamento das sanções internacionais e a retirada das tropas norte-americanas da região, em troca do compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz.
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