Como o Paquistão se tornou o mediador entre EUA e Irão?

O Paquistão, apesar dos conflitos com o Afeganistão e a Índia, tornou-se o principal mediador na guerra que opõe Estados Unidos e o Irão. O explicador da semana esclarece como isso aconteceu e o que o país tem a ganhar com este papel diplomático.
Como o Paquistão se tornou o mediador entre EUA e Irão?
Cláudia Arsénio 15:00

Nos últimos tempos, o Paquistão tem estado no centro das atenções devido ao papel que assumiu enquanto mediador entre os Estados Unidos e o Irão. Por um lado, tem uma ligação histórica com o país vizinho, com quem partilha uma fronteira de 900 quilómetros. Por outro lado, a relação com os norte-americanos não foi sempre fácil, mas o cenário mudou com a segunda administração Trump. Até recentemente, o Paquistão era visto com desconfiança pelos Estados Unidos por ter ajudado, ao mesmo tempo, a depor o governo afegão e depois ter apoiado a ascensão dos Talibã ao poder.

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O Paquistão é o quinto país com mais população no mundo, tem uma maioria muçulmana e mantém relações tensas com a Índia e o Afeganistão. Mas com a escalada de violência no Médio Oriente, o país deixou de ser um mero espectador e passou a ser um mediador proativo, um papel que ajudou a alcançar um cessar-fogo temporário mas imediato, que levou o mundo a respirar de alívio por momentos.

Este papel enquanto ponte deu ao país uma vitória diplomática importante e prestígio para a imagem global, que pode elevar a sua posição na região. Além disso, o Paquistão tem interesses económicos na paz, uma vez que o país depende largamente do petróleo que passa pelo estreito de Ormuz.

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O país mantém ainda parcerias consistentes com a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar. E, no ano passado, assinou um pacto estratégico de defesa com a Arábia Saudita, o que fortaleceu o Paquistão enquanto interlocutor de segurança em toda a região do Golfo.

Além destes fatores, o Catar e Omã, os mediadores habituais, foram envolvidos diretamente nas operações militares deste conflito. Quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irão, Teerão disparou em várias direções, incluindo Omã e Catar.

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A iniciativa do Paquistão tem merecido apoio internacional. A 29 de março, o país esteve reunido com os ministros dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Turquia e Egito, que manifestaram apoio à vontade paquistanesa de mediar as negociações de paz. Pouco depois, a China também fez saber que apoiava o esforço do Paquistão. Também o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já agradeceu a liderança do Paquistão como principal mediador entre o Irão e os Estados Unidos.

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