Reabertura de Ormuz derruba petróleo e leva Wall Street a máximos. Netflix afunda 10%
O desbloqueio do estreito de Ormuz pelo Irão foi mais um sinal para os investidores que a guerra está a chegar ao fim. Wall Street respondeu com máximos pelas terceira sessão consecutiva, num dia em que os preços do petróleo afundaram.
Foi mais uma sessão de recordes para Wall Street. As expectativas cada vez mais tangíveis de que o conflito no Irão está próximo do fim, aliadas à reabertura do estreito de Ormuz, levaram os principais índices norte-americanos a registarem ganhos de mais de 1% - num dia em que os preços do petróleo afundaram e aliviaram os receios dos investidores em torno de uma possível escalada inflacionista nos EUA.
Pela terceira sessão consecutiva, o "benchmark" S&P 500 e o tecnológico Nasdaq Composite atingiram novos máximos históricos, ao tocarem nos 7.147,52 pontos e nos 24.519,51 pontos, respetivamente, com o primeiro a encerrar a negociação com ganhos de 1,20% para 7.126,06 pontos e o segundo a acelerar 1,52% para 24.468,48 pontos. Já o industrial Dow Jones saltou 1,79% para 49.447,43 pontos, aproximando-se dos valores recorde estabelecidos em fevereiro deste ano.
Minutos antes de Wall Street arrancar a negociação desta sexta-feira, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Seyed Abbas Araghchi, anunciou a "reabertura completa" da navegação de embarcações comerciais no estreito de Ormuz até ao final do cessar-fogo entre Israel e o Líbano. As duas partes tinham concordado na quinta-feira suspender as hostilidades durante 10 dias com vista a alcançar um acordo de paz duradouro.
A reação imediata dos investidores passou por apostar em força nos ativos de risco, apesar de o Irão ter deixado alguns avisos aos EUA que podem pôr em causa a reabertura do estreito de Ormuz. De acordo com a agência de notícias iraniana Fars, citada pela Bloomberg, Teerão pode vir a impedir a passagem de embarcações por esta artéria crítica do comércio global caso os norte-americanos não abandonem o bloqueio aos navios iranianos.
"A crise no Irão parece estar a caminhar para uma resolução provisória e frágil que, mesmo que seja alcançada, deixará muitas questões fundamentais por resolver - embora alivie algumas tensões de curto prazo no mercado", escreve Bianchi, analista de mercados, citado pela Bloomberg. A atenção dos investidores deve virar-se agora para outros recantos do mercado, numa altura em que a época de resultados avança a toda a força e uma nova onda de entusiasmo com a inteligência artificial anima a negociação.
Entre as principais movimentações de mercado, a Netflix afundou 9,72% para 97,31 dólares, depois de a gigante do "streaming" ter desiludido nas projeções para o trimestre atual e após o "chairman" ter anunciado a sua saída. A empresa viu os seus lucros acelerarem 83% para 5,28 mil milhões de dólares nos primeiros três meses do ano, mas antecipa que as receitas entre abril e junho se fiquem pelos 12,57 mil milhões, contra estimativas de 12,64 mil milhões.