Prejuízos em Leiria podem chegar aos 800 milhões. Autarca deixa críticas ao Governo
O Município de Leiria recebeu apenas cinco milhões de euros em dinheiro desde que a depressão Kristin atingiu o concelho, há praticamente um mês, valor proveniente de uma companhia de seguros, afirmou à agência Lusa o seu presidente.
"O único apoio que recebemos, monetário, foi cinco milhões de euros [ME], que foi um adiantamento da companhia de seguros com quem trabalhamos. De resto, de dinheiro, não recebi mais nenhum", disse Gonçalo Lopes.
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No passado dia 18, a Câmara de Leiria estimou que os prejuízos provocados pela depressão Kristin àquela data ascendiam a 792,8 milhões de euros, sem contabilizar os custos com infraestruturas municipais e do Estado e na floresta. "Dentro daquilo que conseguimos apurar, o que já gastámos, mais a primeira estimativa por baixo, temos um valor de 792,8 milhões de euros. Ainda falta outro tanto", disse nesse dia Gonçalo Lopes.
Numa entrevista à agência Lusa, quando passa um mês desde que a depressão Kristin provocou avultados danos no concelho, Gonçalo Lopes antecipou um aumento do montante, elencando o impacto na habitação, na economia, em viaturas, na floresta e noutras áreas.
No caso da habitação, admitiu que os prejuízos possam ultrapassar os 100 milhões e, no âmbito das empresas, o valor "poderá chegar aproximadamente aos 700 milhões de euros".
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Por contabilizar estão diversas situações, como o número de viaturas afetadas ou o prejuízo na área florestal, sendo que, neste caso, "representa um prejuízo imediato económico, sim, e a seguir um prejuízo muito grave do ponto de vista ambiental", realçou.
"Este é o cenário que faz com que rapidamente se consiga aumentar esse valor dos 800 milhões de euros", salientou.
Reiterando que o Produto Interno Bruto do concelho "anda na ordem dos dois mil milhões de euros por ano, um dia parado anda à volta dos 5,6 ME que não se produz", o autarca recordou que, durante uma semana, Leiria teve "praticamente 100% de atividade económica parada".
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"Portanto, foi um país e uma região que ficaram mais pobres", destacou, para enumerar outro património que não municipal afetado, desde espaços religiosos a associações.
O presidente da Câmara de Leiria acusou o Governo de ter atirado para as autarquias as vistorias das candidaturas à reconstrução de habitações na sequência do mau tempo sem questionar se aquelas tinham condições.
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"Fomos atirados para a linha da frente para a resolução de um problema sem nos terem perguntado se tínhamos condições, nem ter negociado connosco como é que havia de ser feito. As pessoas foram a correr fazer os seus pedidos, porque precisam de dinheiro, e agora eu não consigo analisar com a rapidez que o Governo disse que tinha de ser analisado. Se queriam analisar com essa velocidade, tinham ficado com essa responsabilidade", afirmou Gonçalo Lopes.
Por outro lado, o autarca adiantou que "os formulários de submissão estão a ser sistematicamente alterados, as exigências todos os dias são mudadas", dando o exemplo da declaração de não dívida. "Pedem que o processo não seja burocrático e estão a torná-lo burocrático, o que faz com que as câmaras tenham mais trabalho", criticou.
Segundo Gonçalo Lopes, o Município de Leiria "tem atualmente 30% dos pedidos de toda esta região, de todo o espaço afetado, que são seis mil candidaturas", e tem 10 pessoas no Urbanismo. O autarca explicou ter contactado peritos e empresas de peritagem para trabalharem para a Câmara, sem sucesso, porque estão a trabalhar para os seguros, e contactou também seguradoras a perguntar se podiam dispensar peritos. Sem sucesso, igualmente.
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"Mais uma vez, ficou-nos nos braços um problema. Mas não foi um problema negociado, foi imposto", sustentou.
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