"Risco de uma segunda vaga de inflação pode desequilibrar o pouco equilíbrio existente"
Se 2024 terminou com mais tranquilidade do que começou, "as alterações à política americana e os riscos de uma segunda vaga de inflação podem desequilibrar o pouco credível equilíbrio existente", afirma António Ramalho no 23.º episódio do podcast Partida de Xadrez, que vai para o ar esta segunda-feira no site do Negócios e nas principais plataformas.
Também Gonçalo Moura Martins não tem dúvidas que as perspetivas macroeconómicas globais para 2025 "dependerão de fatores políticos externos, tais como a política comercial da nova administração Trump, o desfecho das guerras em curso, o resultado das eleições na Alemanha, a sobrevivência do governo francês e o controlo dos desequilíbrios da política económica chinesa". Temas, diz, que "poucos podem controlar, mas cujo impacto global é inexorável".
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Um dos grandes riscos que este ano apresenta, afirma António Ramalho, é uma segunda vaga de inflação. "Não é óbvio que a inflação esteja totalmente controlada", frisa, explicando que uma maior pressão sobre os salários "cria um maior risco inflacionista" e o efeito é de bola de neve.
Moura Martins admite que "a inflação ainda pode vir a ser um problema real" e "prejudicar não só a trajetória de continuada descida das taxas de juro do BCE, como pode, inclusive, inverter a tendência". As suas preocupações centram-se igualmente na paridade prevista para breve entre euro e dólar, sendo que no final de 2025 a moeda única "já pode estar a valer 95 cêntimos do dólar, o que vai criar tensões inflacionistas na Europa".
Também uma guerra comercial com os EUA levaria a um aumento dos preços. "Se houver a tentação da Europa retaliar o efeito será muito mais nefasto aos europeus do ponto de vista da subida de preços do que aos americanos", avisa António Ramalho, apelando a que a Europa seja inteligente na retaliação. Em seu entender, a política de internalização da economia de Trump vai reforçar a moeda americana e "pode ser um dos despoletadores do aumento dos preços por parte da Europa".
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Moura Martins avisa também que a capacidade de resistir da economia americana a um embate de uma guerra comercial é infinitamente maior do que a de outros blocos. "Não acredito que Trump faça tudo o que diz porque, apesar de isso ter um impacto muito negativo nas outras economias, também teria um impacto negativo na economia americana", a qual, "se se isolar muito, também perde capacidade de influência no mundo", afirma.
Outro foco de incerteza, aponta António Ramalho, é a dívida pública, que em termos globais ronda os 100 triliões. "Este problema da dívida é maior do que pensamos pela simples razão de que esta dívida vai ter que aumentar inevitavelmente com os custos da recuperação dos pós-guerras, da transição energética e do incremento da defesa, e tudo isso vai obrigar a um acréscimo de financiamento".
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