Tribunal determina que tarifas temporárias de 10% impostas por Trump são ilegais

De acordo com o Tribunal de Comércio Internacional (ITT, na sigla em inglês), o Governo dos EUA não pode basear-se numa lei de 1974 destinada a reequilibrar o comércio entre os Estados Unidos e os seus parceiros comerciais para impor tais tarifas.
Tarifas de 10% sobre exportações para EUA são também ilegais
Pedro Elias
Lusa 00:49

Um tribunal norte-americano decidiu na quinta-feira que as tarifas temporárias de 10% impostas em fevereiro por Donald Trump para substituir as tarifas abrangentes que tinham sido derrubadas pelo Supremo Tribunal são ilegais.

De acordo com o Tribunal de Comércio Internacional (ITT, na sigla em inglês), o Governo dos EUA não pode basear-se numa lei de 1974 destinada a reequilibrar o comércio entre os Estados Unidos e os seus parceiros comerciais para impor tais tarifas.

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O tribunal decidiu por 2-1 que Trump extravasou os poderes tarifários que o Congresso tinha concedido ao presidente por lei. A maioria dos juízes considerou as tarifas inválidas e "não autorizadas por lei".

O terceiro juiz do painel entendeu que a lei permite ao Presidente uma maior margem de manobra em relação às tarifas.

Caso o Governo recorra da decisão, como se prevê, o recurso será inicialmente para o Tribunal de Apelação do Circuito Federal dos EUA, com sede em Washington, e, depois, potencialmente, para o Supremo Tribunal, noticiou a agência Associated Press (AP).

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Em causa estão as tarifas globais temporárias de 10% impostas pela administração Trump depois de o Supremo Tribunal ter derrubado, em fevereiro, tarifas ainda mais abrangentes, de dois dígitos, que o presidente tinha imposto no ano passado a quase todos os países do mundo.

Em 01 de fevereiro de 2025 anunciou a primeira grande vaga de novas tarifas, de 25% sobre todos os produtos do México e do Canadá, e mais 10% sobre os produtos da China.

As tarifas universais sobre o aço e o alumínio entraram em vigor a 12 de março de 2025.

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Trump invocou a Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA) para declarar o estado de emergência nacional relativamente aos défices comerciais, em abril de 2025.

A medida, que o Supremo Tribunal declarou ilegal já em fevereiro deste ano, permitiu estabelecer uma tarifa básica universal de 10% sobre quase todas as importações de todos os países.

O Tribunal de Comércio sublinhou também hoje que esta disposição apenas permite a imposição temporária de tarifas limitadas em circunstâncias específicas relacionadas com graves desequilíbrios na balança de pagamentos ou situações de instabilidade no sistema financeiro internacional.

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Em 09 de abril de 2025 foram implementadas tarifas "recíprocas" específicas, nas quais as taxas para determinados países (como uma taxa de 104% sobre a China) foram aumentadas para corresponder aos impostos que esses países cobram sobre os produtos norte-americanos.

Desde então, o seu governo tem negociado acordos com os principais parceiros comerciais, muitas vezes reduzindo as tarifas em contrapartida de aumento das compras de produtos norte-americanos e investimentos industriais no país.

Trump tem usado as tarifas alfandegárias como um instrumento de política económica, para diminuir o défice comercial norte-americano, mas também para coação política, mais recentemente ameaçando com sobretaxas os países europeus que apoiaram a Dinamarca na crise em torno da Gronelândia.

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