Trump ameaça Canadá e países que vendem petróleo a Cuba com tarifas mas aproxima-se do México

Numa nova investida tarifária, o Presidente dos EUA ameaçou implementar taxas sobre aviões canadianos e a países que comercializem crude com Havana, mas aproximou-se de um entendimento comercial com o México.
Trump volta às ameaças com tarifas
AP
Negócios com Lusa 08:42

O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou o Canadá com uma tarifa aduaneira de 50% sobre vendas de aviões, se o país vizinho não certificar os jatos da Gulfstream Aerospace.

No mais recente ataque na sua guerra comercial com o Canadá, e em plena disputa com o primeiro-ministro Mark Carney, Trump afirmou na quinta-feira estar a retaliar por as autoridades canadianas não certificarem os jatos da norte-americana Gulfstream.

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"Se, por qualquer motivo, esta situação não for corrigida imediatamente, vou impor ao Canadá uma tarifa de 50% sobre todas as aeronaves vendidas aos Estados Unidos da América", disse Trump na sua publicação nas redes sociais.

Trump disse ainda que os Estados Unidos poderão revogar a certificação de todas as aeronaves de fabrico canadiano, incluindo as da Bombardier.

No fim de semana, Trump ameaçou impor uma tarifa de 100% sobre os produtos importados do Canadá, caso este país avançasse com um acordo comercial planeado com a China.

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A ameaça de Trump não foi acompanhada de detalhes sobre quando iria impor as tarifas de importação, uma vez que o Canadá já tinha fechado um acordo com Pequim.

Além disso, Donald Trump assinou quinta-feira um decreto que permite ao seu governo impor tarifas alfandegárias de nível não especificado a países que vendem petróleo a Cuba.

"Pode ser imposta uma tarifa adicional 'ad valorem' (baseada no valor estimado) às importações de bens produzidos por um país que vende ou fornece petróleo direta ou indiretamente a Cuba", afirma o decreto publicado pela Casa Branca.

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"Considero que a situação em relação a Cuba constitui uma ameaça invulgar e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos, e por este meio declaro o estado de emergência nacional em relação a esta ameaça", argumentou o Presidente na ordem executiva.

O secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, determinará se um país vende ou fornece petróleo a Cuba e, em seguida, o secretário de Estado, Marco Rubio, decidirá se e em que medida deverá ser imposta uma tarifa adicional aos produtos desse país.

Em profunda crise energética e económica, Cuba tem dependido fortemente da ajuda estrangeira e de carregamentos de petróleo de aliados como o México, a Rússia e, anteriormente, a Venezuela.

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Trump disse recentemente que o governo cubano está prestes a cair e que a ilha não receberia mais carregamentos de petróleo da Venezuela após uma operação militar norte-americana ter capturado o líder venezuelano, Nicolás Maduro.

A Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, disse na terça-feira que o seu governo suspendeu, pelo menos temporariamente, os envios de petróleo para Cuba, sublinhando tratar-se de uma "decisão soberana", sem pressão dos Estados Unidos.

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Sheinbaum respondia a perguntas sobre se a empresa estatal de petróleo Pemex teria cortado os envios de petróleo para Cuba na sequência da pressão crescente de Trump, para que o México se afastasse do governo cubano, embora oficialmente Washington não tenha pedido a suspensão do fornecimento de petróleo.

O petróleo mexicano é há muito tempo uma linha vital para Cuba.

No seu relatório mais recente, a Pemex afirmou que enviou quase 20.000 barris de petróleo por dia para Cuba entre janeiro e 30 de setembro de 2025.

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O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira que o objetivo dos Estados Unidos é fazer da Venezuela um país "amigável, estável, próspero e democrático", no qual sejam realizadas eleições "livres e justas".

O chefe da diplomacia norte-americana respondia a perguntas de senadores numa audição na câmara alta do Congresso (Senado) para explicar a política dos Estados Unidos sobre a Venezuela, após a operação militar de 3 de janeiro em Caracas, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro e da sua mulher, Cilia Flores.

"O objetivo final é chegar a uma fase de transição em que tenhamos uma Venezuela amiga, estável, próspera e democrática, na qual todos os setores da sociedade estejam representados em eleições livres e justas", declarou Rubio, admitindo, porém, que esse objetivo não será alcançado em questão de semanas, mas exigirá "algum tempo".

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Ainda esta quinta-feira, Sheinbaum manteve uma discussão sobre questões comerciais com Donald Trump, descrita por ambos como "produtiva" e que será seguida de reuniões técnicas.

"Tivemos uma conversa produtiva e cordial com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Continuamos a progredir em questões comerciais e na relação bilateral", afirmou Sheinbaum, numa mensagem publicada nas redes sociais.

Esta foi a segunda conversa entre os dois líderes no último mês, depois de Trump ter ameaçado lançar ataques contra os cartéis de droga mexicanos e do início da revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), prevista para este ano.

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"Concordamos que ambas as equipas continuarão a trabalhar juntas", disse Sheinbaum sobre a discussão com Trump.

Na sua conferência de imprensa matinal, a líder mexicana adiantou relativamente ao comércio que os dois países estão "a progredir muito bem" na revisão do USMCA, mas que "ainda não há nada de concreto".

Sheinbaum especificou ainda que discutiram a indústria automóvel e as tarifas impostas por Washington a peças automóveis mexicanas: "Ainda estamos a progredir neste assunto; ainda não há uma conclusão".

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Numa mensagem na rede social Truth, Trump descreveu a conversa como "muito produtiva" e elogiou Sheinbaum: "O México tem uma líder maravilhosa e muito inteligente. Deviam estar muito felizes com isso!".

"Voltaremos a falar em breve e certamente marcaremos reuniões nos nossos respetivos países", adiantou.

O contacto coincide com a visita do secretário da Economia do México, Marcelo Ebrard, a Washington, onde se reuniu com o seu homólogo, Howard Lutnick, para tratar de questões comerciais bilaterais.

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Na anterior chamada entre os dois presidentes, a 12 de janeiro, Trump afirmou que uma intervenção militar no México estava "descartada" após a captura e detenção do líder venezuelano, Nicolás Maduro, uma semana antes.

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