Economia cresceu 1,9% em 2025, abaixo do previsto pelo Governo
A economia portuguesa cresceu 1,9% em 2025, ficando ligeiramente abaixo da meta de 2% definida pelo Governo para o ano passado e abrandando face ao crescimento registado em 2024. No último trimestre do ano, o PIB acelerou o ritmo de crescimento para 0,8%, mas isso não foi suficiente para chegar ao objetivo do executivo.
Segundo a estimativa rápida das contas nacionais do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgada nesta sexta-feira, 30 de janeiro, "no conjunto do ano 2025, o PIB registou um crescimento de 1,9% em volume, após o aumento de 2,1% em 2024". Ou seja, o ritmo de crescimento abrandou.
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Este valor fica ligeiramente abaixo dos 2% previstos pelo Governo no Orçamento do Estado (OE) para 2026, mas está em linha com a esmagadora maioria das estimativas das instituições (à exceção do Banco de Portugal) e analistas.
Ainda assim, o contributo da procura interna contribuiu mais para o crescimento económico em 2025 do que no ano anterior, "refletindo a aceleração do consumo privado e do investimento". No entanto, isso não foi suficiente para atenuar o contributo da procura externa líquida, que foi mais negativo em 2025. As exportações desaceleraram mais do que as importações, explica o INE.
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O INE ainda não divulga dados sobre as componentes do PIB relativamente ao quarto trimestre (e ao conjunto do ano) nesta primeira divulgação, estando previsto que o faça no final de fevereiro.
Já quanto ao quarto trimestre, a economia cresceu 0,8% no final do ano, acelerando ligeiramente face ao ritmo registado nos três meses anteriores. No entanto, isso não foi suficiente, ao contrário do que esperavam alguns analistas, nomeadamente os do BCP, para que se chegasse à meta do Governo.
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É que, nos dados divulgados nesta sexta-feira, o INE reviu em ligeira baixa (menos 0,1 pontos percentuais) o crescimento do terceiro trimestre, que foi afinal de 0,7% e não de 0,8%, como anteriormente foi anunciado.
O Negócios já apontava em setembro (ou seja, com os dados apenas da primeira metade do ano) para quão difícil podia ser atingir a meta de crescimento do Governo, já que seriam necessários níveis de crescimento em torno de 0,9% em cadeia em cada um dos dois últimos trimestres do ano para que isso fosse possível.
Recorde-se que, no terceiro trimestre, o Governo aplicou um conjunto de medidas com impacto na carteira dos portugueses, que visava também fomentar o consumo e, consecutivamente, a economia. Foi o caso da redução das taxas de retenção na fonte em agosto e setembro e o pagamento do bónus extraordinário de pensões em setembro.
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No quarto trimestre, o contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB passou a positivo, "refletindo uma redução acentuada das importações de bens e serviços, devido, em grande medida, ao comportamento das transações de produtos petrolíferos".
Já o contributo da procura interna passou a negativo, "verificando-se uma redução significativa do investimento e uma desaceleração do consumo privado". Ou seja, depois do efeito pontual dos incentivos do Governo, o consumo das famílias perdeu força.
Em termos homólogos, ou seja, em comparação com o quarto trimestre de 2024, o PIB cresceu 1,9%, também em abrandamento face ao trimestre precedente.
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"O contributo negativo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB foi menos acentuado", diz o INE, dada a desaceleração pronunciada das importações de bens e serviços e uma redução das exportações de bens e serviços, sobretudo devido a "uma diminuição das transações de produtos petrolíferos".
Por sua vez, o contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu, verificando-se uma desaceleração do consumo privado e do investimento, acrescenta.
(Notícia atualizada com mais informação às 10:00)
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