Von der Leyen aponta "progressos" na aplicação de acordo comercial com EUA até julho

"Mantemos o nosso pleno compromisso, de ambas as partes, com a sua implementação. Estamos a progredir significativamente no sentido da redução das tarifas até ao início de julho", afirmou a presidente da Comissão Europeia.
Von der Leyen discursa sobre a resposta da UE aos EUA
Markus Schreiber / Associated Press
Lusa 00:51

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apontou na quinta-feira "progressos significativos" na aplicação do acordo comercial com os Estados Unidos até início de julho, após conversa com o Presidente Donald Trump.

"Mantemos o nosso pleno compromisso, de ambas as partes, com a sua implementação. Estamos a progredir significativamente no sentido da redução das tarifas até ao início de julho", afirmou Von der Leyen nas redes sociais, relatando a conversa com Trump sobre o Acordo de Turnberry, de julho de 2025, que redefiniu o quadro tarifário após Washington impor tarifas unilaterais.

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Ao abrigo do acordo de 2025, as tarifas no mercado norte-americano passam a ser de até 15% para a grande maioria dos produtos europeus - incluindo automóveis, semicondutores, produtos farmacêuticos e madeiras - e a UE, em contrapartida, elimina a maior parte das tarifas que ainda aplicava aos produtos industriais dos Estados Unidos.

A Casa Branca tem vindo a pressionar para aplicação do acordo, mais recentemente a 01 de maio, quando Trump anunciou que iria aumentar as tarifas sobre os automóveis e camiões da UE para 25%, argumentando que Bruxelas "não está a cumprir o acordo comercial".

Após a conversa de hoje, Trump, ameaçou Ursula von der Leyen com a aplicação de tarifas "muito mais elevadas" sobre produtos europeus, se Bruxelas não aplicar até 04 de julho o acordo comercial bilateral assinado.

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"Foi feita a promessa de que a UE cumpriria a sua parte do acordo e, conforme estipulado, reduziria as suas tarifas a zero! Concordei em dar-lhes até ao 250º aniversário do nosso país (04 de julho); caso contrário, infelizmente, as suas tarifas disparariam imediatamente para níveis muito mais elevados", disse o Trump numa mensagem na plataforma Truth Social, após a conversa telefónica.

Na mensagem, Trump afirma estar "pacientemente à espera que a UE cumpra a sua parte do histórico acordo comercial" que ambos os lados firmaram durante a visita do republicano à Escócia no verão passado.

Embora a Comissão Europeia e a maioria dos países da UE pretendam a aprovação rápida do acordo, ao nível do Parlamento Europeu alguns eurodeputados têm exigido mecanismos de salvaguarda, caso Washington aplique novas tarifas sob ameaça da integridade territorial da UE, além de proteção contra aumentos súbitos das importações que distorçam a concorrência no mercado único.

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No seu primeiro dia de mandato, a 20 de janeiro de 2025, Trump assinou um memorando intitulado "Política Comercial 'América Primeiro'", delineando as prioridades imediatas e orientando as agências governamentais para rever os desequilíbrios comerciais.

A 01 de fevereiro de 2025 anunciou a primeira grande vaga de novas tarifas, de 25% sobre todos os produtos do México e do Canadá, e mais 10% sobre os produtos da China.

As tarifas universais sobre o aço e o alumínio entraram em vigor a 12 de março de 2025.

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Trump invocou a Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA) para declarar o estado de emergência nacional relativamente aos défices comerciais, em abril de 2025.

A medida, que o Supremo Tribunal declarou ilegal já em fevereiro deste ano, permitiu estabelecer uma tarifa básica universal de 10% sobre quase todas as importações de todos os países.

A 09 de abril de 2025 foram implementadas tarifas "recíprocas" específicas, nas quais as taxas para determinados países (como uma taxa de 104% sobre a China) foram aumentadas para corresponder aos impostos que esses países cobram sobre os produtos norte-americanos.

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Desde então, o seu governo tem negociado acordos com os principais parceiros comerciais, muitas vezes reduzindo as tarifas em contrapartida de aumento das compras de produtos norte-americanos e investimentos industriais no país.

Trump tem usado as tarifas alfandegárias como um instrumento de política económica, para diminuir o défice comercial norte-americano, mas também para coação política, mais recentemente ameaçando com sobretaxas os países europeus que apoiaram a Dinamarca na crise em torno da Gronelândia.

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