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Câmara de Lisboa espalha cartazes com mensagem anti-Trump

Um dia depois da eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, a câmara de Lisboa espalhou cartazes pela zona do Parque das Nações, onde decorre o Web Summit, em que reafirma a sua capacidade de acolher bem quem vem de fora.

Miguel Baltazar / Negócios
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 10 de Novembro de 2016 às 11:49
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"No mundo livre, ainda podes encontrar uma cidade para viver, investir e construir o teu futuro. Construindo pontes e não muros". Foi esta frase, em inglês, que a câmara de Lisboa decidiu espalhar pelo Parque das Nações, onde decorre o Web Summit, para reafirmar que, ao contrário do presidente eleito dos Estados Unidos, a cidade se mantém aberta e acolhe bem toda a gente.

Uma das principais propostas eleitorais de Donald Trump é construir um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México.

A autarquia colocou 25 mupis e três grandes telas na zona do Parque das Nações, onde estão reunidas dezenas de milhares de pessoas que participam no Web Summit. Segundo fonte oficial da câmara de Lisboa, o cartaz surge em reacção à eleição de Trump, mas pretende responder ao que "está a acontecer um pouco por todo o mundo", incluindo o Brexit. "O objectivo é dizer a empreendedores e investidores que Lisboa se mantém uma cidade aberta e que acolhe bem toda a gente", remata.

A campanha também chegou à internet.
A abertura e tolerância da cidade de Lisboa tem sido um dos activos que Fernando Medina mais tem "vendido". Em entrevista ao Negócios, ainda antes de Trump ser eleito, o presidente da câmara de Lisboa disse que esse é um das principais pontos fortes da cidade. "Há um aspecto que vai encantar todos os que aqui chegam, vai ser uma mensagem muito forte da cidade de Lisboa: é que nós recebemos bem quem nos procura e vem de fora. Acolhemos bem a diferença, respeitamo-la e vivemos bem com ela", descreveu.

Esse é um aspecto importante, porque o mundo já não é assim, afirmou então. "Nós julgávamos, na nossa geração, que o mundo era todo assim, e o mundo hoje já não é assim. Em muitos sítios, discutem-se muros, fronteiras, restrições à imigração", realçou, numa referência a Donald Trump e ao facto de vários países estarem a impedir a entrada de refugiados e imigrantes.

Os cartazes que foram colocados apresentavam uma gralha ("brigdes" em vez de "bridges", na referência às pontes), mas a autarquia já está a substituí-los.


"Há uma certa cultura de intolerância face ao outro e face àquele que vem de um país distinto, é uma cultura que se está a instalar em vários espaços e é uma cultura profundamente inimiga da inovação", lamentou, até porque "a ideia anti-imigração é o primeiro inimigo da inovação".

Lisboa distingue-se: "É o inverso disto, nós dizemos a todos: sejam bem-vindos. Venham, fiquem cá. Venham visitar e conhecer as nossas instituições, venham conhecer os portugueses, construam cá as vossas empresas".

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