Défice comercial de bens cresce mais de 40% até abril face a 2018
Com as importações de bens a continuarem a crescer a um ritmo mais elevado do que as exportações, o défice comercial da economia portuguesa continua a alargar-se.
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Nos primeiros quatro meses deste ano, a diferença entre os bens que Portugal comprou ao exterior e os que vendeu fixou-se nos 6,9 mil milhões de euros, 43% mais do que os 4,8 mil milhões de euros registados até abril de 2018, segundo os dados divulgados esta sexta-feira, 7 de junho, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Em abril, tanto as importações como as exportações desaceleraram, mas o INE nota que, "em 2019, a Páscoa ocorreu na segunda metade de abril (em 2018 tinha ocorrido a 1 de abril), podendo influenciar os resultados obtidos". Recorde-se que estes dados não são deflacionados, ou seja, não descontam a evolução dos preços dos bens importados e exportados.
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Por isso, em termos de comparação, a análise do trimestre terminado em abril é preferível. Nessa ótica, as exportações até ganharam algum ritmo de crescimento (de 4% no primeiro trimestre para 4,4%) e as importações perderam gás (de 13,4% para 11,3%), tal como mostra o gráfico.
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Apesar disso, as compras ao exterior continuam a crescer a um ritmo três vezes superior ao das vendas ao exterior em Portugal de janeiro a março de 2019, o que prejudica o saldo comercial de bens. Como a base das importações é maior do que a das exportações, os crescimentos percentuais que se verificam atualmente penalizam ainda mais a balança comercial.
A degradação do défice tem sido constante desde 2016, mas pode haver boas razões: há indícios de que a subida dos preços, o efeito dos combustíveis (potencialmente temporário) e a compra de material para investimento (tendencialmente positivo para o crescimento da economia) estejam a provocar este aumento do défice comercial.
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Importações continuam a subir à boleia das peças de aviões
O dinamismo das importações de bens neste arranque de ano deve-se, segundo o INE, à compra de material de transporte (+24,7%), "em resultado principalmente da aquisição de Outro material de transporte (maioritariamente aviões)". Ao que o Negócios apurou, o que está em causa é a compra de peças de aviões por parte da TAP para a manutenção que a companhia faz a outras transportadoras aéreas, uma área de negócio que cresceu significativamente nos últimos tempos.
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Tal é compatível com o que o gabinete de estatísticas explicou na divulgação do PIB do primeiro trimestre: "em Contas Nacionais, a utilização de equipamentos em regime de locação operacional provenientes do exterior não é registada como importação nem como investimento, dado que a propriedade económica pertence à entidade locatária não residente". Em termos simples, isto significa que o "leasing" de aviões feito pela TAP não é uma importação nem investimento.
Grande parte dessas importações de outro material de transporte tem origem alemã e norte-americana. "Em relação aos principais fornecedores em 2018, em abril de 2019 destacam-se os aumentos, em termos homólogos, nas importações da Alemanha (+20,6%) devido sobretudo ao aumento das aquisições de Outro material de transporte (maioritariamente aviões)", esclarece o INE, referindo também que as importações dos EUA subiram 245% só nesse mês.
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(Notícia atualizada às 11h50 com mais informação)
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