Sarmento admite maior inflação, mas deixa claro que "estamos longe de 2022"

Ministro das Finanças afirma que, para já, impacto do conflito no Médio Oriente está longe do "choque" da guerra na Ucrânia. Mas admite "um pouco mais de inflação" este ano.
Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças
Olivier Hoslet / Lusa - EPA
Diana do Mar 11:43

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, admite que o choque energético causado pelo conflito no Médio Oriente pode causar "um pouco mais de inflação", mas considera que o impacto não só está longe de se comparar com os efeitos do estalar da guerra na Ucrânia em 2022, como o país está mais bem preparado para responder, ao dispor de uma almofada financeira mais confortável. 

"Penso que estamos numa situação muito diferente da de 2022. Em 2022, tivemos dois choques, quase simultâneos. Em primeiro lugar, tivemos um choque de oferta devido à guerra na Ucrânia, que aumentou os preços da energia e dos alimentos e antes tínhamos tido um choque de procura quando a pandemia começou a recuar. As pessoas começaram a consumir substancialmente, o que na altura se designou por 'gastos de vingança' e a produção estava ainda abaixo dos níveis pré-pandemia. Portanto, houve estes dois choques após uma década de política monetária muito expansionista que gerou inflação em 2022, a qual foi combatida com um forte aumento da taxa de juro pelos bancos centrais. E agora estamos numa situação diferente", apontou, em entrevista à Bloomberg TV.

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"Temos um choque nos preços da energia, vamos ver qual será impacto nos alimentos, mas não temos uma quebra na procura. Se a situação se mantiver, muito provavelmente, os consumidores diminuirão o consumo. E a produção está muito elevada. Penso que podermos ter um pouco mais de inflação, mas longe do que tivemos em 2022", sublinhou.

Em outubro de 2022, a taxa de inflação superou os 10%, atingindo .

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Miranda Sarmento não afasta, no entanto, efeitos na economia decorrentes da guerra no Irão. "Obviamente, dependemos substancialmente da duração, dimensão e impacto do conflito. Se o conflito se prolongar por um período significativo e afetar o fornecimento de petróleo e gás muito provavelmente terá um impacto significativo no crescimento da economia mundial e a Europa e Portugal serão afetados".

Ainda assim, deixou claro que Portugal está "bem posicionado" para lidar com a atual crise, tendo, aliás, sido "o primeiro da Europa" a responder, nomeadamente com medidas de alívio da carga fiscal nos combustíveis.

E mesmo que haja um "pequeno défice" neste "ano difícil", apontou, "a posição orçamental de Portugal para este ano e para os próximos é positiva".

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