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Bruxelas: "O pior pode já ter passado" mas esta é "uma história de aumento da divergência"

Nas Projeções de Verão, divulgadas esta terça-feira, a Comissão Europeia admite que "o pior pode já ter passado", mas reconhece que a crise trará "aumento da divergência, desigualdade e insegurança".

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A recessão económica na União Europeia, provocada pela pandemia de covid-19, vai ser mais profunda, e a retoma vai ser menos vigorosa. Nas Projeções de Verão publicadas esta terça-feira, a Comissão Europeia baixou "significativamente" a previsão para este ano, antecipando uma contração de 8,7% na zona euro em 2020, seguida de uma recuperação de 6,1% em 2021. "O pior pode já ter passado", admite Bruxelas, mas a divergência, desigualdade e insegurança" vão aumentar, reconhece.

"A pandemia afetou a economia da União Europeia mais do que o previsto, mesmo se uma pequena recuperação já é visível", disse Paolo Gentiloni, comissário para a Economia, esta manhã na apresentação do relatório, em Bruxelas.

Todos os Estados-membros vão entrar em recessão este ano, e retomar o crescimento em 2021, mas há "divergência" na dimensão tanto da contração, como da recuperação. Estas diferenças "tornaram-se maiores", sublinhou Gentiloni, e a recuperação em 2021 "não vai diminuir as diferenças, sem uma intervenção de política forte", frisou.

"O risco de um aumento da divergência foi o racional para o nosso plano de recuperação comum. Este risco parece estar a materializar-se. Este é o argumento para o NextGenerationEU e é neste momento mais forte do que nunca", defendeu o comissário.

Gentiloni notou que já são visíveis alguns sinais de recuperação da atividade, com a progressiva reabertura das economias, mas frisou que a recessão deste ano deverá ser a maior desde a II Guerra Mundial, e que a queda já verificada no primeiro semestre de 2020 (na ordem dos 17%) não permitirá uma retoma muito significativa no resto do ano. O nível da atividade económica ficará em 2021 bem abaixo do de 2019.

Itália, Espanha e França são as economias mais afetadas, com recessões de 11,2%, 10,9% e 10,6%, respetivamente, este ano. Em 2021, a recuperação será curta: 6,1% em Itália, 7,1% em Espanha e 7,6% em França. 

Já na Alemanha a recessão não será tão severa: o principal motor da economia europeia vai contrair 6,3% este ano, queda idêntica à do Luxemburgo (6,2%) e igual à da Finlândia. A economia alemã deverá depois recuperar em 2021, com um crescimento de 5,3%.

Os riscos da projeção são no sentido negativo, desde logo porque a pandemia pode revelar-se mais grave e duradoura do que o esperado. Além disso, a saída do Reino Unido da União Europeia poderá concretizar-se sem acordo e "não se pode excluir a possibilidade de episódios nos mercados financeiros", admitiu. Em contrapartida, do lado positivo Gentiloni colocou o pacote de recuperação europeu, cujos impactos não estão ainda incluídos nas projeções atuais.

Regresso ao nível de 2019 "é um boa referência" para voltar a acionar regras orçamentais

"O critério sugerido pelo European Fiscal Board [EFB] parece-me interessante", disse Paolo Gentiloni, quando questionado pelos jornalistas sobre quando é que a válvula de escape, que permite aos países não cumprir as metas de défice e de dívida este ano, será desativada.

O comissário defendeu assim ter como ponto de referência para voltar a aplicar as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento o regresso aos níveis de atividade económica do pré-pandemia, e não apenas o regresso ao crescimento, que se antecipa que deverá acontecer já em 2021.

E "não basta que um ou dois países o consigam, ou que dois ou três se mantenham em muita dificuldade" para decidir manter ou levantar a válvula de escape, argumentou Gentiloni, defendendo antes uma avaliação global da atividade.

Sobre a revisão das regras do próprio Pacto, nomeadamente o limite de 60% do PIB para a dívida, Gentiloni frisou a importância da discussão, mas não adiantou o ponto de vista da Comissão. Em declarações ao Financial Times, publicadas esta manhã, Mário Centeno, ex-ministro das Finanças português e ainda presidente do Eurogrupo (está de saída), colocou-se ao lado de Niels Thygesen, o diretor do EFB, defendendo uma revisão do limite previsto para a dívida.

(Notícia atualizada às 10:26 com mais informação)
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