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Católica continua mais pessimista e diz que PIB cai 10% este ano

A recuperação vai demorar e, no melhor dos cenários, em 2021 o nível de atividade económica vai continuar 5% abaixo do que existia em 2019, antes de estalar a pandemia de covid-19.

Mariline Alves
Margarida Peixoto margaridapeixoto@negocios.pt 07 de Outubro de 2020 às 12:13
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O núcleo de economistas da Universidade Católica continua bastante pessimista quanto à evolução da atividade económica e antecipa uma recessão de 10% do PIB em 2020. O número consta da síntese da folha trimestral de conjuntura do Católica Lisbon Forecasting Lab – NECEP, a que o Negócios teve acesso.

"É pouco provável uma queda do produto limitada aos 6.9% inscritos pelo Governo no Orçamento Suplementar 2020, ou de 8.1% como avançou recentemente o Banco de Portugal, o que parece difícil de conciliar com os dados desde meados de setembro que sugerem a degradação da conjuntura nacional e europeia", lê-se no documento.

Ainda esta terça-feira o Banco de Portugal melhorou as suas projeções para a evolução do PIB este ano, tendo passado de uma estimativa de queda de 9,5%, para 8,1%. No mesmo dia, o Governo comunicou aos partidos as linhas gerais do cenário macroeconómico com que está a construir o Orçamento do Estado para 2021 e também projetou um número menos pessimista do que o da Católica: o Executivo está a contar com uma recessão de 8,5%. 

Mas os peritos do NECEP encurtaram o intervalo de projeção e indicam que, na melhor das hipóteses, admitem que a queda seja de 9% – não menos do que isso. No cenário mais pessimista, a recessão pode ir aos 12%.  

Recuperação "aquém do esperado"

Quando olham para a evolução recente da atividade económica, os peritos do NECEP também discordam da avaliação que foi deixada ontem pelo Banco de Portugal. Enquanto a instituição liderada por Mário Centeno diz que o segundo trimestre correu "melhor do que o previsto" e que isso justificou a melhoria das expectativas, o núcleo de estudos da Católica diz que a recuperação da forte queda do primeiro trimestre "terá sido apenas parcial e um pouco aquém do esperado".

Os economistas da Católica esperam uma contração de 12,5% do PIB no terceiro trimestre do ano, quando comparado com o mesmo período de 2019. A confirmar-se este número, quer dizer que o crescimento face ao segundo trimestre foi de 5% e que comparando com o período pré-covid a economia continua 13% abaixo.

Com a recessão "já instalada no país", lê-se na síntese do NECEP, a taxa de desemprego terá subido para 7,8% no terceiro trimestre. 

A justificar o pessimismo estão "indicadores muito preocupantes relacionados com as exportações", com destaque para o colapso do turismo. Dizem os economistas que esta atividade "parece estar a menos de metade do que é normal para esta época do ano, quer em número de dormidas, quer na receita gerada na forma de exportações" e admitem a possibilidade de uma queda homóloga de 30% no terceiro trimestre.

Na indústria detetaram uma "saudável recuperação em julho e agosto", mas sobretudo motivada pelo mercado interno, mantendo-se as encomendas do exterior "pouco entusiasmantes", indicam.

Já o comércio a retalho deu sinais de melhoria ao longo do terceiro trimestre, especialmente em julho. Porém, o NECEP diz que recentemente já vê sinais de "algum pessimismo" da parte dos consumidores. O consumo privado terá crescido 4,8% no terceiro trimestre em cadeia, um pouco menos do que o PIB. 

O setor mais resistente à crise provocada pela pandemia terá sido a construção – e aqui a análise coincide com a do Banco de Portugal. Este setor terá sustentado um comportamento melhor do investimento.

Vai levar tempo a ultrapassar a crise

No que diz respeito à recuperação, o NECEP antecipa que seja preciso um período "relativamente longo" e que em 2021 Portugal continue ainda quase 8% abaixo do nível de atividade económica que tinha em 2019. 

"No melhor dos cenários, 2021 poderá fechar a cerca de 5% do registo de 2019, mas não é de descartar um cenário com perdas próximas dos 12%," antecipam os economistas, sublinhando a incerteza relacionada com a evolução da saúde pública. É que no último trimestre do ano a queda poderá ser ainda de 5% face ao período homólogo, admitem os peritos.

O Plano de Recuperação Europeu, e a celeridade com que será implementado terá um impacto também no ritmo da retoma, que poderá ter de esperar por 2022 para se tornar mais robusta. Os peritos admitem um "período de recuperação cíclica relativamente longo que criará dificuldades significativas e prolongadas em termos de desemprego, financiamento e sobrevivência de empresas e instituições", lê-se na síntese.
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