Eurostat confirma escalada da inflação na Zona Euro para os 3% devido à energia
Inflação no grupo de países da moeda única acelerou pelo terceiro mês consecutivo. Guerra no Irão e escalada nos preços dos combustíveis estão a "alimentar" a inflação. Segundo o Eurostat, os preços da energia dispararam 11% em abril.
A inflação na Zona Euro acelerou, em termos homólogos, de 2,6% para 3% em abril, segundo os dados finais do Eurostat divulgados esta quarta-feira e que confirmam a estimativa rápida avançada anteriormente. Este é já o terceiro mês consecutivo em que os preços de venda aos consumidores europeus estão a escalar, sendo que a guerra no Irão veio acentuar essa tendência com um disparo nos preços dos combustíveis.
Para a aceleração de quatro décimas na taxa de inflação da Zona Euro observada em abril, contribuíram sobretudo os bens energéticos. Entre as quatro grandes componentes do índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC), a energia teve a taxa mais elevada em abril, que passou de 5,1% para 10,8%, menos uma décima do que o tinha sido avançado na estimativa rápida. Recorde-se que, no arranque do ano, a variação homóloga da energia era negativa, uma tendência que foi invertida com o início do conflito no Irão.
O disparo de mais de cinco décimas no IHPC da energia é explicado pela subida a pique dos preços do petróleo e gás, devido ao bloqueio do Irão ao estreito de Ormuz – via marítima crucial para o comércio internacional, por onde passa 20% do petróleo e gás consumido em todo o mundo – em resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, iniciados no final de fevereiro e que se têm prolongado.
Porém, o maior contributo para a inflação na Zona Euro continua a vir dos serviços. Em abril, os serviços contribuíram com 1,38 pontos percentuais para a taxa de inflação, ao passo que o contributo da energia foi de 0,99 pontos percentuais. Mas, em abril, o IHPC dos serviços até abrandou, passando de 3,3% para 3%. O valor continua, ainda assim, a ser elevado e a "alimentar" pressões inflacionistas.
Por outro lado, o índice relativo aos alimentos, álcool e tabaco manteve-se inalterado nos 2,4%, e o IHPC relativo aos bens industriais não-energéticos voltou a acelerar, de 0,5% para 0,8% em abril. Os alimentos contribuíram em 0,46 pontos percentuais para a taxa de inflação registada e os bens industriais não-energéticos com 0,20.
Em contraciclo com a inflação global, a inflação subjacente, que exclui aos produtos que estão mais sujeitos a grandes variações de preços (alimentos e energia), abrandou. Segundo os dados finais do Eurostat, passou de 2,3% para 2,2%, indiciando que a aceleração dos preços deve-se apenas a produtos do cabaz cujos preços são mais voláteis. Esse indicador permite aferir o nível de "enraizamento" da inflação na economia e pode concluir-se que o "contágio" entre os produtos mais estáveis, como saúde e educação, ainda não é visível.
Inflação em Portugal ficou acima da média
Os dados finais do Eurostat revelam que, considerando os 27 Estados-membros da União Europeia (UE), a taxa de inflação foi de 3,2%, mais duas décimas do que no mês anterior e mais duas do que o registado no grupo dos países da moeda única.
Entre os 27 países da UE, 21 registaram uma aceleração na taxa de inflação em abril, um manteve a taxa inalterada (Irlanda) e cinco registaram uma desaceleração (Países Baixos, Finlândia, Suécia, Estónia e Letónia). No caso de Portugal, o IHPC de março fixou-se em 3,3%, um valor que está acima da média da Zona Euro e da UE. Esse valor compara ainda com 2,1% de inflação registada no mês anterior.
As taxas de inflação mais baixas foram observadas na Suécia (0,5%), Dinamarca (1,2%) e na República Checa (2,1%). Já as taxas de inflação mais altas registaram-se na Roménia (9,5%), Bulgária (6%) e Croácia (5,4%).
(notícia atualizada às 10:52)