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IA e robotização exigem dados, regras e novas competências

Empresas, escolas e autarquias já estão a sentir o impacto da tecnologia, mas a adaptação exige literacia e sentido crítico. Este foi um dos temas em debate na conferência de sustentabilidade do Negócios, em Carcavelos.

20:09
Helena Garrido (moderadora), Ana Trigo Morais (Sociedade Ponto Verde), João Pinto (Católica Porto Business School), Luis Almeida Capão (CM Cascais), Patricia Gonçalves (Diáspora Jovem) na Conferência Negócios Sustentabilidade
Helena Garrido (moderadora), Ana Trigo Morais (Sociedade Ponto Verde), João Pinto (Católica Porto Business School), Luis Almeida Capão (CM Cascais), Patricia Gonçalves (Diáspora Jovem) na Conferência Negócios Sustentabilidade David Cabral Santos
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O tempo das promessas de transformação que a inteligência artificial traria às organizações já lá vai, garantiram os participantes no debate “Como nos podemos adaptar à IA e robotização?”, moderado pela jornalista Helena Garrido na Grande Conferência Negócios Sustentabilidade. A grande questão hoje passa por perceber como é que a sociedade pode usar estas ferramentas sem perder conhecimento e o pensamento crítico. 

Na Sociedade Ponto Verde, explicou a CEO Ana Trigo Morais, este caminho começou ainda antes da recente aceleração da IA. “Começámos em 2022, 2023 a pensar o que poderia mudar”, afirmou. A organização teve de “alocar recursos e pensamento” e “reorientar” o seu papel na cadeia de valor, convocando “novas formas de resolver os problemas”.

No setor da reciclagem, a tecnologia pode ajudar a melhorar processos, da georreferenciação à gestão de informação. “Há um tema fundamental que é o dos dados. Sem bons dados não é possível”, alertou Ana Trigo Morais, lembrando que é preciso apostar “numa política pública para fazer essa excelente captura de dados”.

Também no ensino superior, a adaptação deixou de ser opcional e a academia foi obrigada a absorver o avanço tecnológico. Para o dean da Católica Porto Business School, João Pinto, este setor tem “um papel importantíssimo no upskilling e reskilling” exigidos pela IA. Na universidade, foi criada em 2024 uma estratégia assente na ideia de que a tecnologia “está cá” e “vai criar disrupções”, com o objetivo de mostrar aos alunos e docentes que estas ferramentas devem servir “para complementar o seu raciocínio crítico”.

A estratégia inclui literacia, formação de professores e regras claras, com um código de conduta para todos. “Um aluno faz a dissertação através do ChatGPT, a seguir o docente avalia com o ChatGPT e, no final do dia, onde está o conhecimento?”, apontou, temendo o “colapso do conhecimento”.

Nas autarquias, Luís Almeida Capão vê a IA como uma oportunidade para aumentar produtividade e libertar equipas das tarefas rotineiras, repetitivas e sem valor acrescentado. “É uma capacidade enorme que as autarquias ganham para aumentarem a produtividade”, defendeu. O vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais lembrou que, nas últimas duas décadas, os municípios deram “um salto estrondoso” na capacidade de trabalhar com dados de qualidade e que esse caminho deve prosseguir.

Essa evolução permite agora aplicar modelos de IA a áreas como o licenciamento, exemplificou, lembrando que em Cascais a automatização da entrada de processos começou em 2011, permitindo que “o técnico já só avaliasse o que precisava mesmo de avaliar”. Por outro lado, o autarca acredita que a IA poderá também ajudar a compensar as dificuldades de contratação no setor público, numa altura em que muito talento “está a fugir para o privado”.

Já Patrícia Gonçalves, da Diáspora Jovem - Tecnologia e Inovação, centrou-se sobretudo no impacto da IA e da robotização no emprego, lembrando que embora haja mais-valias nas ferramentas, os riscos não devem ser subestimados. “O CEO da Microsoft diz que a IA é como uma bicicleta, um andaime para o conhecimento humano, e um ano depois despede 15 mil trabalhadores”, exemplificou.

Os mais jovens, diz, poderão tornar-se “maestros” na criação e gestão de agentes de IA, acrescentando uma dimensão ética ao processo. Na indústria, porém, a robotização continua a enfrentar limites e, em tarefas de fábrica com maior detalhe e nuance, “não estamos a ter os resultados desejáveis”.

A tecnologia poderá assumir tarefas “mais árduas para o corpo e para a mente” e ter impacto positivo, por exemplo, na investigação aplicada a doenças. O essencial, defendeu, é usar estas ferramentas “não para substituir o meu raciocínio, mas para complementar”.

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