Conjuntura Exportadoras serão decisivas para o investimento dar resultados

Exportadoras serão decisivas para o investimento dar resultados

Numa conferência sobre investimento em Portugal, Teodora Cardoso e outros intervenientes sublinharam a importância das empresas exportadoras para o ciclo investimento-produtividade-crescimento.
Exportadoras serão decisivas para o investimento dar resultados
Miguel Baltazar/Negócios
Nuno Aguiar 15 de março de 2017 às 17:34

"A promoção da competitividade das empresas exportadoras e a ampliação do seu número e dimensão têm de constituir, a nível macroeconómico, o complemento básico da reforma do processo orçamental", explicou Teodora Cardoso, durante a sua apresentação da conferência "Investimento em Portugal", organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian. "Delas depende a criação de emprego e o rendimento que gerará a poupança necessária ao estímulo ao investimento sem desequilíbrio externo insustentável".

 

A presidente do Conselho das Finanças Públicas referiu que existe um problema estrutural do tecido produtivo português, uma vez que 90% das empresas nacionais são micro, tendo "grande dificuldade em crescer e em exportar".

 

Daniel Traça, director da faculdade de economia da Universidade Nova de Lisboa, também frisou o mesmo ponto, apontando para a grande diferença na produtividade entre as empresas do sector transaccionável e não transaccionável. "O investimento que se fez em Portugal foi todo para o sector não transaccionável. O pouco que fizemos nas indústrias exportadoras deu resultado", afirmou.

 

Essa aposta reflecte-se também na alocação de trabalhadores. Daniel Traça notou que, entre os portugueses mais qualificados, apenas 5% estão empregados nos sectores exportadores. Esse valor é de 25% na Irlanda. "Se a nova vaga de investimento for para o sector exportador poderá gerar produtividade", acrescentou.

 

A opção por favorecer o investimento no sector não transaccionável até à crise financeira internacional está no centro dos problemas, como referiram outros oradores. Fernando Alexandre, pró-reitor da Universidade do Minho, lembrou que a esmagadora maioria do crédito e do investimento foi para o sector não transaccionável. "A canalização dos fundos para o sector não transaccionável resultou num grande aumento do peso desses sectores na economia", acrescentou, referindo-se em específico à construção e imobiliário. 

 

Carlos Tavares sublinhou também este ponto, oferecendo algumas explicações, como facto de as margens do sector não transaccionável serem mais elevadas. Porquê? "A intensidade da concorrência. Estamos na cauda da Europa [neste indicador], o que significa que as empresas do mercado interno podem recolher rendas" com mais facilidade, referiu o antigo presidente da CMVM e actual assessor do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos. "O crédito foi preferencialmente encaminhado para os sectores que mais investiram, mas não os mais eficientes no investimento."




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