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Governo conta com investimento para conter desaceleração da economia

O Governo prevê que o investimento cresça 7% no próximo ano, o que lhe permite prever um crescimento de 2,2% para a economia portuguesa, mas o CFP tem dúvidas. As restantes componentes desaceleram.

Miguel Baltazar/Negócios
Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 15 de Outubro de 2018 às 23:30
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Mário Centeno está a contar com uma aceleração do investimento para que a economia não desacelere tanto quanto as instituições internacionais estimam, tal como o Negócios tinha avançado na semana passada. O Governo prevê que o investimento cresça 7% em 2019, acelerando face aos 5,2% que deverá aumentar em 2018.

Já o consumo e as exportações vão desacelerar no próximo ano, de acordo com o cenário macroeconómico que consta do parecer do Conselho das Finanças Públicas (CFP) sobre o Orçamento do Estado para 2019 (OE 2019). Do lado da procura interna, o consumo privado desacelera de 2,3% para 1,9% e o consumo público desce de uma subida de 1% para 0,2%. Do lado da procura externa, as exportações (+4,6%) continuam a crescer abaixo das importações (+4,8%).

A evolução que o Governo prevê para o investimento é o que levanta mais dúvidas ao CFP. A entidade liderada por Teodora Cardoso considera que "as reservas às previsões para 2019 devem-se essencialmente à falta de informação complementar solicitada e não fornecida atempadamente". Em causa estão "sobretudo" investimentos privados que se vão concretizar no próximo ano, mas também um impulso do investimento público que tem sido prometido ao longo da legislatura.

"Relativamente à FBCF [formação bruta de capital fixo], a revisão em baixa do crescimento em 2018 face ao PE/2018 não se reflecte no crescimento em 2019, tendo sido considerado, para além de medidas de política que não foram especificadas na informação disponibilizada ao CFP, um conjunto de grandes investimentos por parte de agentes do sector privado que também não foi fornecido ao CFP", assinala o Conselho.

A falta de informação fornecida ao CFP também se estende ao investimento público. "O investimento considerado neste cenário é sobretudo do sector privado, não tendo sido ainda explicitadas as medidas de política pública, e ainda menos os seus efeitos, na fundamentação da variação prevista", escreve a entidade que supervisiona as contas públicas. 

O Conselho conclui que "assim, no médio prazo, a previsão de crescimento da FBCF afigura-se optimista, acentuando o risco descendente implícito na previsão de crescimento do PIB real". Ou seja, há dúvidas de que a economia cresça 2,2%. O Fundo Monetário Internacional, por exemplo, prevê que a economia portuguesa cresça 1,8% no próximo ano. O CFP prevê 1,9%. 

O Governo estará a contar com o efeito dos fundos comunitários uma vez que se aproxima da recta final do actual quadro de financiamento comunitário que termina em 2020. 

Emprego revisto em baixa
O Orçamento do Estado para 2019 prevê que a economia portuguesa cresça 2,2% no próximo ano, desacelerando ligeiramente face a este ano (2,3%). Esta nova previsão corresponde a uma revisão em baixa face aos 2,3% fixados no Programa de Estabilidade 2018-2022. 

Quanto ao saldo orçamental, o Governo espera que o défice desça para os 0,7% em 2018 e para os 0,2% em 2019, as mesmas previsões que constavam do PE. Já a dívida pública vai terminar a legislatura nos 118,5%, mais uma décima do que o previsto no PE. A redução será de 2,7 pontos percentuais invés de 3,8 pontos percentuais.

Já o mercado de trabalho vai continuar a melhorar. O Orçamento do Estado de 2019 prevê que a taxa de desemprego desça para os 6,3% em 2019, seis décimas abaixo dos 6,9% previstos para 2018 - ambas as metas foram revistas face ao PE.

O emprego vai crescer apenas 0,9%, travando significativamente face à subida de 3,3% em 2017 e a previsão de 2,5% em 2018. A estimativa foi revista em baixa face ao PE (+1,1%). A remuneração média por trabalhador deverá crescer 2,3%, acima dos 2,1% do PE.

Quanto à evolução dos preços, o Ministério das Finanças estima que a inflação vá atingir 1,4% no próximo ano. 

Face a este cenário, o Conselho das Finanças Públicas "endossa, ainda que com reservas, as previsões macroeconómicas subjacentes à Proposta de Orçamento do Estado para 2019".

(Notícia actualizada às 2h com o rácio da dívida pública)
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